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iberbonsai as tarefas e o calendário do bonsai

 

As tarefas e o calendário do bonsai.

 

 

Falar de bonsai sem falar de respeitar algumas condições básicas é impossível, neste artigo vamos descobrir quais as tarefas e sobretudo e mais importante ainda, quando devemos executá-las para conseguir com mais facilidade um bonsai bonito e cheio de vida.

 

Qualquer tarefa que se pretenda executar no bonsai deve respeitar o momento certo, é isso que a natureza nos ensina e é assim que devemos respeitar a natureza e consequentemente o nosso bonsai. Transplantar um bonsai como uma conífera em pleno verão, como alguns aconselham, é um perigo e um erro de iniciante. Qual a razão por trás disto? Muito simples, em plena estação de crescimento, as raízes estão bem fixas ao substrato e a seiva a circular ao máximo, assim se as cortarmos nesse preciso momento, estaremos a cortar a única via de alimentação da árvore e condenámo-la à morte certa.

 

 

 

A seguir vamos descobrir quais as tarefas e o calendário do bonsai. 

 

 

O não respeito dessa regra fundamental pode provocar uma situação de stress e até a morte do bonsai, diminuindo o processo de crescimento em vez de melhorá-lo.

 

Qualquer intervenção no bonsai só terá resultados se a planta estiver de boa saúde e com muito vigor, caso contrário, a nossa principal preocupação será de fortalecer o bonsai antes de proceder a qualquer tipo de tarefa.

 

Um bonsai fraco e débil nunca poderá responder positivamente a qualquer intervenção, pelo contrário correrá o risco de ainda piorar.

 

Antes de mais, temos que perceber o ciclo natural do bonsai durante o ano, consoante as estações:

 

 

 

- A primavera: é a altura da brotação e da floração.

 

 

Azálea japónica iberbonsai

 

 

A primavera é no dia vinte de março no calendário, mas para as plantas é apenas quando o tempo começa a aquecer, quando os dias e as noites ficam mais amenas com os dias mais longos, aí a seiva começa a subir e a alimentar os brotos que vão abrindo. É nessa altura que as tarefas aumentam no nosso viveiro, além da preparação das encomendas que estão no seu auge, as podas constantes e indispensáveis, a rega quase diárias pelas manhãs, o fechar e abrir das redes de sombra, tirar as ervas daninhas, vigiar a aparição de insetos e fungos nos bonsais.

 

Nesta altura também se deve realizar as sementeiras, diretamente de sementes conservadas no frio, ou de sementes previamente estratificadas. Algumas sementes necessitam de escarificação ou de estratificação a frio e a quente, ou seja, antes de pensar proceder a uma sementeira, terá de conferir junto do fornecedor quais as práticas necessárias antes de proceder à própria sementeira. Por garantia, é preferível aplicar um inseticida de solo em granulado e pulverizar juntamente com a água da rega um fungicida, logo de seguida às primeiras saídas das plântulas para evitar qualquer surpresa desagradável. A primavera é a altura propícia para a multiplicação de bonsais por sementes, sejam elas estratificadas ou não, a temperatura exterior, seja de noite como de dia, começa a subir fatorizando assim as condições máximas para o desenvolvimento da semente. Assim que começa a germinação temos que garantir que o sol não incide diretamente na sementeira e sobretudo é muito importante vigiar a rega, o substrato tem que ter uma certa taxa de humidade, mas nunca pode ficar encharcado para não provocar o apodrecimento das pequenas plântulas. Se a sementeira for muito densa, temos que retirar uma boa parte das jovens plantas e talvez seja necessário pensar na pulverização de um fungicida para evitar o apodrecimento das plântulas.

Ao retirar uma parte das plântulas, não quer dizer que estas vão diretamente para o lixo, podemos aproveitá-las se forem retiradas com muita precaução.

 

Esta operação é realizada quando as jovens plântulas têm algumas folhas e consiste em remover delicadamente cada plântula, uma a uma, utilizando um pequeno pedaço de madeira com uma ponta cortada em bico, tipo lápis, que é empurrado no solo por baixo da plântula, a fim de a remover do substrato, evitando ao máximo quebrar as frágeis e ainda tenras raízes. Levantando-a cuidadosamente enquanto a seguramos por um ou mais cotilédones, que são as duas primeiras folhas que emergem da semente, mas nunca pelo caule, que é demasiado frágil.

Sem perda de tempo devemos transplantá-los e colocá-los num novo substrato. formamos um buraco no novo substrato com o nosso dedo ou uma pequena vara, pomos a plântula no mesmo e colocamos suavemente a terra à volta das raízes, tendo o cuidado de cobrir bem as raízes com substrato. Não podemos exagerar na pressão que exercemos nas raízes porque ainda estão muito tenras e frágeis. nesta fase o stress é imenso e é aconselhável sermos muito rápidos entre o momento em que a jovem muda é arrancada e o momento em que é reintroduzida no solo.

 

Alguns rebentos jovens podem mesmo morrer em resultado de desenraizamento, o que pode causar a fratura das raízes, uma vez que a plântula é tão jovem que não pode suportar esta mudança súbita, pelo que qualquer precaução é absolutamente importante.

 

Qual é a vantagem de um transplante de muda?

 

Quando as plântulas estão apinhadas após a sementeira ou a estaquia, têm de lutar entre si por alimento assim como água e nutrientes. Cada uma delas procura luz e quanto mais se encontram apertadas, mais se estenderão na esperança de se erguerem acima das outras para captar o máximo de luz possível.

 

As plântulas mais fracas tornam-se vulneráveis à doenças e fungos, que podem contaminar o resto da sementeira ou das estacas, com resultados negativos e prejuízos avultados. A mudança das jovens plântulas para um novo meio de crescimento permitir-lhe-à continuar a crescer nas melhores condições. O transplante deve ser feito primeiro em tabuleiros térmicos com dezenas de orifícios com mais ou menos cinco centímetros, o que é um método mais rápido e mais económico do que a utilização de vasos individuais.

 

Mais tarde, serão colocados em vasos de plástico individuais ligeiramente maiores, com mais ou menos sete a nove centímetros.

 

Ler artigo original sobre o transplante de mudas de bonsai.

 

A primavera é a época do ano mais bonita, o tempo está a aquecer a cada dia que passa e é nessa altura que vemos a maioria das espécies com uma explosão de brotos novos e começam a aparecer as primeiras flores nas macieiras, nas azáleas, nos prunus e em muitas espécies mesmo antes de nascerem as folhas.

 

Ler artigo sobre o prunus mume.

 

 

 

- O verão: época de crescimento e frutificação.

 

O vinte e um de junho é o dia de verão no calendário. conforme a temperatura diurna e noturna, as plantas irão desenvolver os seus ramos e produzir frutos com mais ou menos rapidez e intensidade. Esta época também é de muito trabalho no nosso viveiro, com as regas efetuadas sempre da parte da manhã, continuamos com as podas de manutenção porque é a altura onde as plantas crescem mais, a fertilização, o sombreamento a horas determinadas, ou seja, fechar o ecrã térmicos às onze horas e reabri-lo no fim da tarde entre as dezasseis e as dezassete horas, o objetivo é evitar o sol durante a sua a maior atividade que poderia facilmente queimar as folhas  dos bonsais. A retirada da servas daninhas também nos ocupa muito tempo, mas ao mesmo tempo permite-nos arejar a parte superficial do torrão do bonsai evitando o desperdício de água por evaporação e permitindo assim poupar na água da rega.

 

 

 

- O repouso de curta duração no fim do verão.

 

A partir de meados de agosto, na realidade quando começam os dias a ficarem mais curtos e também menos quentes, a vegetação vai reduzindo de intensidade, já estamos com seiva  descendente, quer dizer que a seiva já não transporta os açucares, inicialmente produzidos pela fotossíntese, já que as folhas estão a perder intensidade.

 

Aproveitamos o fim do verão para fazer estacas semilenhosas da maioria das espécies de bonsais perenes e coníferas.

 

 

- O outono: a maturação e a preparação para o repouso vegetativo.

 

O outono é no dia vinte e dois de setembro, mas é quando as folhas começam a mudar de cor e a cair, os dias a ficarem cada vez mais curtos e mais frios, que o nosso bonsai está a preparar-se para a dormência de inverno, até a seiva parar.

 

Em outubro não colocamos nenhum adubo para que o nosso bonsai tenha uma fase de repouso, retomamos a fertilização em novembro com o adubo orgânico biogold sólido, que tem uma duração de até dois meses e que podemos incorporar diretamente no substrato à razão de uma pedra a cada cinco centímetros de vaso, longe do tronco principal, ou então podemos optar por colocar os cestos com o biogold sempre com a mesma proporção, colocando o  cesto num canto do vaso. O cesto tem a vantagem de ser mais prático e mais rápido na aplicação, bastando enchê-lo com as pedrinhas e espetá-lo no torrão, se escolher aplicar o adubo pedra a pedra no substrato, terá que fazer um buraquinha para cada pedra e enterra-las.

Ao regar-se por cima do cesto o adubo entra em contato com a água, começa a dissolver-se e a libertar os seus nutrientes no substrato. Se não regarmos por cima do cesto, o adubo biogold não terá qualquer efeito. Quando as pedrinhas estiverem gastas, não desaparecem totalmente, mas passados dois meses, convém renovar o adubo biogold para continuar a alimentar o bonsai. Sendo assim, anotar a data da primeira aplicação será recomendada para não esquecermos de renovar a tempo as pedrinhas já gasta.

 

Ler artigo original sobre o biogold para o bonsai.

 

O outono é também o momento da passagem das aves migratórias que viajaram na primavera para o norte, voltando agora para terras mais quentes durante o inverno.

 

Porquê falar das aves migratórias e qual a relação com o bonsai?

 

Simplesmente porque tem a ver com a mudança da estação, a sua chegada ou partida indica o começo ou o fim das estações. Ao contrário do ser humano que tenta mudar a regra e ainda precisa de mudar a hora numa tentativa de enganar a natureza para poupar energia, o que hoje em dia está a ser cada vez mais questionada. Há estudos que indicam que mudar a hora afeta o nosso relógio biológico e em alguns casos, impacto na nossa saúde.

 

Pelo contrário as aves migratórias sabem reconhecer o momento em que têm que mudar a sua rotina e o local onde vivem. É evidente que nós não podemos mudar de local, mas também está mais que provado que mudar a hora só vem perturbar a vida normal de todos nós.

 

Tanto as aves como o bonsai não se regulam pelo relógio ou o calendário, mas sim pela intensidade da luz e da temperatura. Ambos nos ajudam a respeitar o ciclo natural da vida.

 

Ler artigo original sobre as aves migratórias, as estações do ano e o bonsai.

 

 

- O inverno: altura da dormência do bonsai.

 

O inverno é no dia vinte e um de dezembro, mas pode acontecer mais cedo ou mais tarde para as nossas plantas: o frio, os dias mais curtos e a queda total das folhas nas árvores caducas, indicam-nos que a vegetação está completamente parada e a seiva estagnante.

 

Com a seiva parada, será a altura ideal para proceder à poda de estruturação, assim teremos a garantia de não enfraquecer o bonsai, pois é neste período que ele entra em dormência, quase como uma hibernação.

 

Mas como é que a seiva para e como é possível a seiva subir nos ramos do bonsai?

 

Com condições favoráveis como a temperatura mais amena, a seiva circula nas plantas, das raízes às folhas e vice-versa, via vasos específicos, os chamados tecidos vasculares.

 

Mas na ausência de uma bomba, ou seja, sem coração para garantir a circulação do sangue, o que faz a seiva fluir?

 

Na primavera e antes da brotação das folhas nas caducas, é apenas o impulso da raiz e a capilaridade que fazem a seiva subir. Assim que as folhas se desenvolvem, a evapotranspiração foliar pode desempenhar o seu papel de bomba de seiva.

 

A seiva bruta é conduzida pelo xilema desde a raiz até as folhas, é a seiva  ascendente onde circula a água e os sais minerais dissolvidos e extraidos pela raiz. A raiz absorve a água por osmoso, movimento resultante da pressão exercida sobre os tecidos.

 

A seiva elaborada, ou seja, floemática é a seiva descendente que transporta a seiva das folhas até às raízes. É mais grossa e conduz os açucares produzidos durante a fotossíntese assim como os micronutrientes.

 

Ler artigo original sobre a enxertia do bonsai para perceber melhor.

 

A seiva bruta circula nos vasos interiores, mais perto do coração do tronco e a seiva elaborada circula nos vasos mais perto da casca exterior, ambas até às nervuras das folhas.

 

Sem bomba nem coração é a pressão que permite o fluxo da seiva bruta, de baixo para cima com principalmente três fenómenos:

 

- O impulso radicular com as raízes a absorver a água do solo, a seiva bruta vai subindo das raízes para o tronco;

 

- A capilaridade: ou seja, a transferência de um líquido de um ponto para outro, por atração, através de um suporte poroso, como acontece com um torrão de açúcar;

 

- A evapotranspiração: a ação do solo, do calor e do vento provocam a evaporação da água ao nível da folha e gera uma depressão nas partes aéreas da planta criando a aspiração da seiva. No bonsai, quando retiramos as folhas maiores, isso ajuda a diminuir a evapotranspiração e ao mesmo tempo é bom porque permite reduzir o tamanho da folha. Não confundir com a desfolhação do bonsai que consiste em retirar todas as folhas afim de que as novas nasçam cada vez mais pequenas. Cuidado para não pôr em prática esta técnica todos os anos, é muito stressante para a árvore e por isso é aconselhável praticá-la a cada três ou quatro anos.

 

Ler artigo original sobre a desfolha do bonsai.

 

 

Para a seiva elaborada, que flui de cima para baixo, a força da gravidade é o principal condutor. A transpiração foliar é um mecanismo essencial que permite manter o equilíbrio hídrico assim como a regulação da temperatura do bonsai.

 

Somente dez a quinze por cento da água absorvida do solo pelas raízes vai servir a fotosssíntese

 

Ao nível do bonsai, a transpiração depende da superfície de evaporação, ou seja, a quantidade e o volume de folhas assim como da própria constituição da folha, seja ela fina ou grossa, do clima local, da humidade, do sol, do ar, da temperatura, da luz e outras características que devemos ter em conta.

 

 

É crucial respeitar as tarefas e o respetivo calendário do bonsai.

 

Aviso:

 

- O ponto de murcha determina o teor mínimo de água no solo abaixo do qual o bonsai não pode superar a tensão capilar da água. É quando as pontas dos ramos começam a flexionar, é o momento onde devemos regar abundantemente para salvar o bonsai.

 

Perigo:

 

- O ponto de murcha permanente representa o teor de água no solo para o qual as folhas do bonsai começam a secar definitivamente e nesta situação poderá já ser tarde regar, neste caso não foram apenas as folhas que desidrataram, mas igualmente os ramos e o bonsai pode acabar por morrer.

 

Ler artigo original sobre como regar o bonsai.

 

Nos nossos posts e nos inúmerosos artigos que publicamos semanalmente, poderá encontrar, através de o nosso léxico, uma imensa informação sobre o cultivo do bonsai, saber como regar, adubar, aramar, podar, conhecer as diferentes espécies de bonsais e aprender como multiplica-los.

 

Ttambém estamos disponíveis nas nossas instalações em Maceda, entre Porto e Aveiro e a cinquenta quilómetros de Águeda, aos fins de semana das 10h às 12h e das 14h30 às 17h, outros dias só por marcação.

Atendemos e ajudamos a resolver qualquer problema com o seu bonsai.

 

Ver o nosso léxico.

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