
Pomice, substrato para bonsai.
No cultivo do bonsai temos que ter várias opções em mente, a primeira é saber de qual tipo de bonsai se trata, se é de interior ou de exterior, de folha caduca, perene ou conífera. A segunda está relacionada com a luz, sem o mínimo de luz solar necessário não é possível manter um bonsai de boa saúde. A terceira tem que ver com os nutrientes, adubo líquido mineral ou sólido orgânico como o biogold, o adubo é a principal fonte de alimentação do bonsai. A quarta baseia-se no suporte de cultura, ou seja, o substrato, porque mesmo se conseguirmos os três pontos anteriores, se o solo que compõe o torrão do nosso bonsai não seja de boa qualidade, o bonsai não poderá desenvolver-se corretamente, o substrato é a base fundamental que permite ao bonsai responder de forma segura e eficaz à rega, à aplicação de adubo e no conjunto, ao aproveitamento da claridade natural para a fotossíntese.
Existem vários solos que podemos utilizar quando transplantamos os nossos bonsais, uns mais fracos, outros com uma melhor qualidade. Dos mais fracos podemos mencionar os substratos na base de casca de pinheiro que são vendidos como se fossem de boa qualidade para o bonsai, mas a casca de pinheiro, que em muitos casos não está completamente decomposta, é um verdadeiro perigo, seca muito rápido e não tem uma estrutura compatível com o que procuramos para as raízes do nosso bonsai. Além de mais, se não for decomposta o suficiente pode conter collembolas que podem ser nocivas para as raízes do bonsai. São invertebrados e existem há mais de quatrocentos milhões de anos. Não têm asas, não ultrapassam o tamanho de larvas e são saltadores, com um ciclo de vida de três semanas. O papel ecológico fundamental da collembola é a disseminação e o controlo da microflora do solo facilitando a transformação da matéria orgânica e a circulação dos nutrientes como o azoto, o ácido fosfórico e o potássio, assegurando assim a nutrição das plantas.
Nem todas as collembolas são nocivas para o bonsai, mas por precaução é aconselhável evitar a utilização de casca de pinheiro, mesmo se misturada com outro substrato.
A pedra-pomes ou pómice é um substrato vulcânico de Itália, que é extraído em diferentes partes do país. Desde há pouco tempo, encontramos igualmente no mercado uma pómice com origem do Japão, com a particularidade de ser um pouco mais escura, mas as qualidades são idênticas, valorizando sobretudo a não compactação do substrato quando misturado com akadama, a diferença da pómice japonesa é o preço mais elevado devido à distancia.
A pómice é um substrato muito leve, estável e não muito quebradiço, com uma certa retenção de água.
A pómice é o resultado de erupções vulcânicas explosivas formadas como consequência de uma expansão violenta de gases dissolvidos na lava.
Como se formou a pómice?
- Foi com o rápido arrefecimento da rocha que impediu a sua cristalização, retendo os gases no seu interior e gerando minerais com bolsas de ar mais ou menos expandidas.
- Foi durante a solidificação que os vapores no magma fizeram com que toda a massa inchasse em resultado da erupção vulcânica. O magma na origem da pómice teria uma composição química que permitiria a expansão dos gases dissolvidos no seu interior, formando um corpo semelhante a uma espécie de espuma.
- O rápido arrefecimento da lava fez com que a parte líquida solidificasse em torno das bolhas de gás, apresentando assim um aspeto de espuma ou esponja.
A principal característica da pómice é na realidade na parte interna da rocha, que é composta por uma quantidade incrível de condutas intercomunicantes.
As propriedades particulares da pómice são a sua leveza e porosidade, pelo que é normalmente usada na construção civil e em várias culturas ornamentais e hortícolas, bem como no cultivo do bonsai.
Misturada com outros substratos, é um excelente meio de cultivo com boas propriedades de drenagem, retenção de água e troca química, importante para a nutrição vegetal.
É um produto natural resultante da extensão natural do mineral efusivo magmático, que gerou um produto alveolar de notável leveza, alta porosidade, elevada retenção de água, lenta libertação de líquidos e grandes propriedades isolantes.
É um produto cem por cento natural, absolutamente ecológico e portanto, recomendado e adequado para aplicações na jardinagem e para o cultivo de plantas e dos bonsais.
Alguns factos importantes sobre a pómice:
- Porosidade de mais ou menos setenta por cento;
-Retenção de água de trinta a trinta e cinco por cento;
- PH superior a sete, portanto ligeiramente calcário, a ser evitado para o transplante de azáleas e camélias, ou então em muito pequena quantidade. Misturado com kanuma e não ultrapassando vinte por cento da mistura, não haverá problema.
A pómice é perfeitamente indicada para o transplante de árvores provenientes de yamadori, normalmente têm um grande volume de raízes antes de ser transplantados em vaso de bonsai, permite o arejamento do solo e acima de tudo é muito mais económico, já que podemos encher a quase totalidade do vaso com pómice.
Lembramos que o yamadori é o facto de retirar árvores do meio ambiente, são sujeitos que apresentam já algumas características próprias como curvas pronunciadas, nebari bem desenhado, no conjunto já tem uma silhueta interessante e que após alguns anos de cultivo em vaso de grande dimensão podemos optar por transplantar para um vaso de bonsai. A melhor altura para se retirar árvores da natureza é no final do inverno e no início da primavera, pouco antes da formação dos botões. Uma pergunta a ter em conta antes de remover uma árvore, para além da autorização necessária como é óbvio, é verificar o início do tronco, logo acima do nebari e certificar-se que o movimento vale a pena e também tentar descobrir se a árvore em questão tem raízes suficientemente finas muito próximos da base do tronco. Se tiver unicamente uma raiz grossa e sem apresentar nenhumas raízes finas não vale a pena sacrificar a árvore, nunca será um bonsai bonito. Mas se a árvore tiver todas as condições necessárias, podemos arrancá-la de uma só vez, tomando todas as precauções necessárias, mantendo o maior número possível de raízes finas e cortando a raiz axial o mais curto possível.
O mais importante é manter o maior número possível de raízes pequenas e finas. Uma vez que a árvore tenha sido removida do seu local, teremos de a replantar, depois de retirar uma boa parte do solo antigo, mantendo apenas a terra mais próxima do tronco, ou seja, mais ou menos vinte por cento do torrão. Transplantamo-lo num substrato de muito boa qualidade como akadama hard quality misturado com pómice, que neste caso pode ser até setenta por cento da mistura.
No yamadori como no bonsai, o substrato deve ser muito drenante para evitar o apodrecimento das raízes e conseguir um bom arejamento, o futuro desenvolvimento, além de não danificar a árvore tanto na parte aérea como radicular, é diretamente dependente do substrato, por isso quanto mais drenante for, melhor. O substrato não tem necessariamente que ser nutritivo, temos a possibilidade de aplicar adubo, seja mineral ou orgânico, na medida certa.
Ler artigo original sobre o yamadori.
No verão devemos ter algum cuidado com a pómice, sobretudo se for utilizado só, sem nenhuma mistura, é um substrato que pode não aguentar um dia completo sem ser irrigado em caso de calor intenso e com uma taxa de humidade muito baixa, ou seja, inferior a quarenta por cento. Com taxa de humidade perto dos trinta por cento temos que ser muito vigilantes, não só com a pómice, mas igualmente com os outros substratos, muitas das árvores que os nossos clientes perdem acontece de um dia para o outro, em dias de muito calor, mas sobretudo com humidade relativa muito baixa.
Neste caso convém regar abundantemente da parte da manhã e repetir se necessário durante o dia, evitando regar sob sol intenso.
Resguardar o bonsai numa zona com sombra será uma atitude muito prudente. Possuir um higrómetro e vigiar constantemente no verão a taxa de humidade do ar pode evitar resultados desastrosos, uma simples atenção quotidiana pode salvar a vida a muitos bonsais.
Aconselhámos sempre misturar com akadama hard quality, a pómice impede a compactação e a akadama ajuda a reter a humidade necessária no solo. Lembramos que durante o verão, antes de meio-dia, é recomendável proteger o bonsai do sol direto, pelo menos até os dezasseis-dezassete horas. O sol pode queimar as folhas do bonsai. A utilização de uma rede de sombra ou um guarda-sol ajudará a manter o ambiente mais fresco e reduzirá o consumo de água da rega.
A seguir vamos descobrir o que é um substrato para uma planta.
Um substrato é um meio de cultivo em que são dispersas sementes ou introduzidas plantas. O próprio solo é um substrato e existem substratos orgânicos e minerais.
Coco, fibra de madeira, musgos, turfa, perlite, vermiculite, casca de pinheiro decomposta e areia são os substratos mais comuns.
Sem o substrato não há vegetação, as plantas não crescem. Na natureza, as plantas e árvores crescem no solo onde encontrarão as substâncias necessárias para o seu crescimento. No entanto, para as plantas, as árvores e também os bonsais cultivados em vaso, estamos a falar de um sistema de cultivo fora do solo, pelo que devemos tentar recriar as condições naturais de desenvolvimento da planta.
Esta é a definição de substrato, que é uma base nutritiva na qual vamos introduzir uma planta.
Para o bonsai temos substratos muito mais específicos como:
- A akadama que é uma argila de origem vulcânica do Japão. Esta argila é composta por grãos reconstituídos, cozido uma, duas ou três vezes para atingir um grau mínimo ou máximo de dureza. O tamanho dos grãos varia de um milímetro para o tamanho SS, ou shohin, passando pelo grão S, conhecido como normal, ou seja, de dois a seis milímetros, para chegar até nove milímetros para o tamanho M, utilizado para grandes árvores para encher o fundo do vaso, acabando o enchimento com o grão de dois a seis milímetros.
- A kiryuzuna que é muito mais parecida com pequena gravilha e é mais dura. Este substrato é utilizado para árvores de pinus e de juniperus, uma vez que a sua estrutura impede a compactação do solo e a acumulação de água nas zonas radiculares do bonsai. Muitas pessoas trocaram a utilização da kiryuzuna por pómice, por terem qualidades idênticas aquando do processo de compactação e sobretudo por ser muito mais barata, um litro de kiryuzuna pode custar o dobro do preço de um litro de pómice. Há quem faça transplantes só com pómice como substrato, sem qualquer outro solo, mas com o tempo percebemos que a pómice não tem a mesma consistência que a kiryuzuna, este último é insubstituível para conseguir pinus e juniperus impecáveis ao longo de muitos anos, nota-se na cor da folhagem que fica muito mais viva. A vantagem inabalável do substrato kiryuzuna é a facilidade com que conseguimos desembaraçar as raízes até as mais finas, se tivermos cuidado e as limparmos com delicadeza, podemos aproveitá-las na totalidade, sem nunca partir nenhuma, é um grande benefício e uma garantia, sabemos que partir raízes de um pinheiro pode ter consequências devastadoras.
- A kanuma é igualmente uma argila de origem vulcânica, mas modificada por água mineralizada e é originária do Japão. É um substrato ácido com um PH inferior a cinco e é portanto, adequado para plantas que gostam de solo ácido como azáleas, rododendros e aceres. Na iberbonsai preparamos uma mistura para aceres com setenta por cento de akadama hard quality e trinta por cento de kanuma e temos sempre bons resultados.
A kanuma é cozida em fornos a mais de trezentos graus durante uma hora para exterminar qualquer microrganismo ou sementes de ervas daninhas.
- A keto: este substrato é particularmente útil para a montagem e desenho de florestas de bonsai, estilo Yose-Ue, sobre pedra ou laje. É um substrato de cor preta, muito maleável, tipo argila de modelagem, permitindo a estabilização do conjunto e terminar a face superior com keto, impedindo assim a desintegração do substrato durante a rega.
Ler artigo sobre as florestas.
- A pómice, cujas qualidades e vantagens foram descritas no início deste artigo.
Como já vimos num artigo anterior, as principais qualidades de um bom substrato são:
- Capacidade de drenagem para evitar o apodrecimento das raízes do bonsai, a porosidade é um fator essencial para o crescimento das raízes
- Capacidade de retenção de água, porque um substrato muito arenoso por exemplo, permite que a água da rega passe com demasiada facilidade e as raízes não têm tempo para tirar partido dela, levando à secagem rápida e à morte do bonsai. Um bom substrato deve reter água suficiente e que seja capaz de evacuar o excesso pelos furos do vaso.
- O PH deve ser neutro ou ligeiramente ácido no caso da kanuma para azáleas e sobretudo, não deve conter qualquer nutrientes para facilitar o nosso plano de fertilização
- Estabilidade ao longo do tempo, muitos substratos de baixa qualidade não mantém a sua estrutura por muito tempo, resultando frequentemente em compactação e falta de oxigenação das raízes.
- A escolha do tamanho correto do grão. Existem vários tamanhos de grão no mercado. Precisamos escolher o grão certo para o vaso e o bonsai que queremos transplantar. Um grão de zero a dois mílímetros é reservado para pequenos bonsais como shohin ou mame. Um grão de dois a oito milímetros será utilizado para a maioria dos bonsais que transplantamos em vaso de quinze a quarenta centímetros. Ao transplantar bonsai em vaso com mais de quarenta centímetros, usamos um grão mais grosso, até doze milímetros, terminando perto das raízes com um grão mais fino de dois a oito milímetros.
Os substratos de origem japonesa têm todas as características acima referidas, são utilizados há muito tempo por todos os especialistas em bonsais, a sua eficiência ao longo do tempo é amplamente demonstrada, claro que representa um investimento, mas a longo prazo acabamos sempre por recuperá-lo. Um bom substrato é sinónimo de sucesso, não devemos esquecer que o bonsai vive num pequeno vaso, por isso é de maior importância apostar em substratos de alta qualidade para obter o melhor crescimento possível das nossas pequenas árvores.
Ler artigo original sobre o substrato para bonsai.
Temos que acrescentar uma observação relativamente à utilização correta dos substratos.
Vemos muitos vezes bonsais que têm dificuldade em se desenvolverem a seguir ao transplante, sobretudo pinheiros, e isso é precisamente devido à má escolha do solo. Não é por ser um vaso pequeno, com quinze a vinte centímetros, que devemos colocar um substrato de grão muito pequeno como o shohin, ou seja, com grão de zero até dois milímetros, é um erro quase sempre fatal nas coníferas, neste caso o grão indicado é de dois até oito milímetros, granulometria que permite o arejamento adequado e mantendo uma taxa de humidade regular do substrato.
A pómice tem um papel fundamental na recuperação do bonsai a seguir ao transplante, evita a compactação, fenómeno que provoca a morte do bonsai por asfixia, se as raízes ficarem privadas de ar e em humidade constante, acabam por morrer.
A pómice é o substrato de hoje e do futuro.
A pómice é um excelente substrato que pode ser misturado com akadama ou kiryuzuna, a fim de aumentar a capacidade de drenagem e evitar a compactação do solo.
A pómice está a ser cada vez mais utilizada devido ao seu preço relativamente baixo em comparação com os substratos japoneses, que nos últimos anos têm sofrido aumentos acentuados devido ao custo do transporte.
Cabe-nos, portanto, improvisar e tirar partido deste maravilhoso susbtrato, se misturado sabiamente iremos beneficiar do máximo de resultados.
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