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iberbonsai pinheiro de buda ou podocarpus

Podocarpus Macrophyllus ou pinheiro de Buda.

 

No bonsai trabalhamos com muitos pinheiros, sylvestris, pinea, thunbergii, pentaphylla, densiflora, nigra larício, mas o podocarpus, chamado de pinheiro de Buda, não tem nada de pinheiro, apenas o nome, não possui agulhas, mas sim folhas alongadas e por isso o seu tratamento não é nada igual a dos outros pinus.

 

O pinheiro de Buda chama-se Kusamaki em japonês.

 

O podocarpus macrophyllus ou pinheiro de Buda é uma conífera, originária da China e do Japão, é um bonsai de exterior, com uma folhagem que faz lembrar o teixo ou taxus baccata. O teixo vem do grego taxus que quer dizer veneno, de facto todas as partes do teixo são tóxicas, exceto a parte vermelha do fruto, o arilo, que curiosamente os pássaros podem comer. O taxus ou teixo é uma espécie que vive em climas temperados a frio, existindo em Portugal, no seu estado natural, apenas nas zonas montanhosas, em pequenos grupos ou árvores isoladas, em terrenos frescos e profundos por vezes calcários.

 

Ler mais sobre o bonsai taxus baccata ou teixo.

 

 

Na natureza o podocarpus macrophyllus ou pinheiro de Buda pode atingir até vinte metros de altura.

 

As coníferas ou pino fitas, são espermatófitas com cones constituidos por escamas, estas escamas contêm os óvulos na sua superfície superior ou sacos polínicos na parte inferior.

As coníferas são principalmente árvores de folha persistente em forma de agulha ou de cinta. Várias coníferas estavam presentes na floresta carbonifera: as Cordaitales eram as mais abundantes, mas a Walchia foi escolhida para fazer parte da coleção de filogenia, porque está mais próxima das coníferas pinaceae, a que pertence o pinus.

 

Ler artigo original sobre a botânica e o bonsai.

 

A conífera, comummente referida como resinosa, é uma árvore gimnosperma, do grego gumnóspermos que significa semente nua, característica dos pinheiros, portanto o fruto é um cone chamado pinha. As coníferas são árvores muito antigas, existem há mais de duzentos milhões de anos, no final do período Carbonifero. Todas as coníferas são plantas lenhosas, as suas folhas são agulhas nos pinus ou folhas planas semelhantes a escamas ao longo dos caules nos cupressus ou ciprestes.

Lembramos que, falando de coníferas, também existem árvores de folha ou agulha perene e de folha ou agulha caduca como é o caso do ginkgo biloba, que mesmo tendo folhas é uma conífera, a metasequoia e o pseudolarix com as suas folhas achatadas, mas neste caso são caducas, caindo no inverno e brotando de novo na primavera.

 

Ler artigo original sobre o bonsai pinus sylvestris e pinus pinea.

 

Podocarpus vem do grego podo que quer dizer pé e carpus que corresponde à semente, referindo-se aos caules carnudos do fruto.

 

CURIOSIDADE:

 

- O podocarpus ou pinheiro de Buda é uma árvore dioica, ou seja, existem plantas masculinas e outras femininas. Os gâmetas masculinos anterozoides e femininos oosferas são produzidos por indivíduos distintos, masculinos e femininos respetivamente. Para saber distinguir os machos das fêmeas, temos que observar com atenção as suas flores e frutos na primavera e no verão. O podocarpus macho produz cones de pólen na primavera. Estes cones são pequenos, alongados e de cor amarela, esverdeada ou vermelha, libertam um pó amarelo, ou seja, o pólen antes de secarem e caírem.

 

Os cones masculinos possuem numerosas microsporofilas em espiral, cada uma com dois sacos polínicos, e são solitários ou agrupados em pequenos conjuntos axilares ou terminais. O pólen é bisacular, ou seja, possui dois sacos aéreos laterais que ajudam na flutuação e no transporte pelo vento.

 

Os cones femininos são geralmente solitários e axilares, e apenas as macrosporofilas apicais, ou seja, as folhas modificadas masculinas são férteis e apresentam um óvulo invertido, virando completamente quando se desenvolve, estando as basais fundidas num recetáculo. O podocarpus fêmea não produz cones de pólen. desenvolve minúsculos cones esverdeados isolados. Após a polinização, a planta fêmea produz arilos característicos, que são pequenos frutos carnudos encimados por uma semente, que passam do verde para o vermelho-roxo à medida que amadurecem.

 

 

A folhagem do podocarpus é perene, compacta, de coloração verde-escuro e brilhante, composta por folhas lineares. Existem mais de uma centena de espécies de podocarpus, com plantas machos e fêmeas, com folhagem perene.

 

Qual o pinheiro de Buda mais utilizado em bonsai?  É o podocarpus macrophylla maki.

 

As flores do pinheiro de Buda são quase insignificantes, amarelas e surgem na primavera.

 

Seguem-se os frutos de cor vermelho arroxeado apenas nas plantas fêmeas, muito apreciados pelos pássaros. A cor da casca é castanha avermelhada.

 

Temos que ter algum cuidado com os animais de estimação, sobretudo com os gatos que por serem curiosos podem ingerir o fruto que pode provocar-lhes indisposição, não é muito grave, mas é preferível estarmos atentos para evitar problemas.

 

A iberbonsai tem uma grande paixão para os animais e no decorrer do cultivo dos nossos bonsais, tentamos proteger ao máximo todas as espécies que coabitam no nosso viveiro, só assim evitamos de aplicar produtos químicos para tratar as plantas. É a lei da natureza, basta saber respeitá-la.

 

Ler o nosso artigo sobre a biodiversidade.

 

As folhas do podocarpus são pontiagudas, ligeiramente arredondadas e mais claras na parte inferior apresentando-se em forma de espiga.

 

 

O pinheiro de Buda aprecia um solo muito rico e fresco e prefere a meia-sombra no verão, gosta de sol e muita claridade durante o resto do ano, mas convém protegê-lo do sol direto no verão com uma rede de sombra.

 

Ver mais sobre o sombreamento do bonsai e porquê colocar uma rede de sombra sobre os bonsais.

 

 

Podocarpus nº 20864 - iberbonsai

 

Sendo um bonsai de exterior, esta árvore gosta muito de sol, precisa de luz natural tanto no verão como no inverno. O seu crescimento é muito acelerado pela exposição exterior ao sol pleno, exceto no verão como já vimos, quando necessita de alguma proteção contra o sol intenso, uma rede de sombra é mesmo imprescindível e convém vigiar a rega, a falta de água pode ditar a seca e a respetiva morte do bonsai. No entanto pode passar o inverno no interior ou numa estufa aquecida de dezasseis a vinte graus, mas cuidado, uma luz natural insuficiente provoca o aparecimento de folhas demasiado grandes. Não aconselhamos esta escolha como bonsai de interior, o bonsai podocarpus ou pinheiro de Buda é um bonsai de exterior e assim sendo, nunca poderá viver por muito tempo no interior, apenas no caso de termos que o proteger do frio no inverno. É uma planta que necessita apanhar chuva, algum vento e um período de temperaturas mais baixas é necessário para uma boa frutificação, ou seja, no exterior é o seu lugar.

 

 

LEMBRETE:

 

- As flores são sem importância ornamental, de cor amarela e ocorrem na primavera enquanto os frutos são de tamanho pequeno, de coloração vermelho arroxeado e atrativo para os pássaros, só ocorrem nas plantas fêmeas.

 

NOTA:

 

- A folha ou agulha do bonsai podocarpus é ereta e não tem espinhos.

 

A poda de manutenção:

 

A poda de manutenção pode ser feita todo o ano, convém retirar as folhas maiores, praticar a pinçagem para estimular a ramificação nas plantas jovens, cortar os rebentos terminais, beliscando com as unhas os novos rebentos que aparecem atrás deles e remover as agulhas demasiado grandes.

 

Ao longo do ano, temos que podar os ramos e os galhos, eliminando as agulhas desproporcionadas.

 

DICA:

 

- Não devemos cortar as folhas achatadas do bonsai podocarpus para reduzir o seu tamanho, pois só vamos conseguir com que ficam acastanhadas e não irá provocar nem a redução nem um novo crescimento.

 

A poda de estruturação:

 

A poda de estruturação realiza-se de fim de dezembro a fim de janeiro.

 

Na fase de crescimento praticamos a pinçagem, ou seja, beliscamos, cortando os ramos novos e os gomos anteriores. O pinheiro de Buda suporta bem a colocação de arames que pode ser  feito em qualquer altura do ano, claro que devemos ficar vigilantes para não danificar os ramos. Colocar arames é a operação que permite orientar e dirigir os ramos, processo determinante na estilização que pretendemos dar ao nosso bonsai, dando harmonia e mais especificamente o estilo desejado.

 

Ler artigo original sobre como aramar o bonsai.

 

O bonsai podocarpus pode ser aramado em qualquer altura do ano e o arame deverá ficar durante dez a doze semanas, embora seja necessário vigiar constantemente o arame para não deixar marcas na casca. É recomendado proteger a casca do bonsai podocarpus com ráfia e evitar entalar as agulhas.

 

Ler o nosso artigo original sobre a poda de estruturação do bonsai.

 

A rega do bonsai pinheiro de Buda:

 

O bonsai podocarpus tem tendência a secar muito depressa, é muito sensível à falta e ao excesso de água. O vaso do bonsai é muito reduzido e consequentemente não possui grande resreva de água e nutrientes, se não regarmos o bonsai antes de a terra secar por completo, as raízes vão enfraquecer, a planta vai começar a desidratar e veremos as folhas a ficarem murchas e caírem, neste caso o bonsai pode acabar por morrer!

 

Se as raízes não ficarem completamente desidratadas podemos salvar o bonsai com uma rega abundante logo de seguida.

 

CONSELHO:

 

- Evitar sempre que o bonsai chegue até ao ponto de murcha. O ponto de murcha é a fase que determina o teor mínimo de água no solo abaixo do qual não pode superar a tensão capilar da água. É quando as pontas dos ramos começam a flexionar, é o momento onde devemos regar abundantemente para salvar o bonsai. Se a situação continuar por muito tempo será muito difícil recuperar o bonsai.

 

Em contrapartida o excesso de água também pode acontecer e é igualmente prejudicial, o bonsai não pode ficar num substrato sempre húmido. Num solo muito encharcado o ar não circula como deve ser, e assim sendo, conduz à asfixia das raízes, como resultado se a situação persistir, o bonsai morre. Para se evitar o encharcamento, devemos utilizar um bom substrato como akadama hard quality a qual podemos misturar a kiryuzuna ou pómice, são substratos especialmente indicados para bonsais sensíveis a encharcamente como os pinus, juniperus e azáleas por exemplo. A kiryuzuna também pode ser misturado com a kanumja, pedra vulcânica. A vantagem principal da kiryuzuna e pómice é evitar a compactação do substrato e a acumulação de água na zona das raízes do bonsai.

 

Por isso devemos utilizar sempre akadama hard quality como substrato base  nos envasamentos dos bonsais, porque assim será muito mais fácil distinguir quando devemos regar, quando seca a akadama torna-se mais clara e quando estiver húmida ficará mais escura, facilitando assim a tarefa da rega. Misturado com kiryuzuna é uma garantia para os menos experientes, de facto não é fácil reconhecer quando um bonsai envasado apenas com kiryuzuna está com necessidade de água, a akadama ajuda a reter mais humidade no vaso.

 

Nos bonsais mais velhos é conveniente adicionar pómice junto com akadama hard quality ou a kiryuzuna para facilitar o arejamento do substrato e evitar a compactação do mesmo.

A pómice misturada com outros substratos, é um excelente meio de cultivo com boas propriedades de drenagem, retenção de água e troca química, importante para a nutrição vegetal. É um produto cem por cento natural, absolutamente ecológico e, portanto,recomendasdo e adequado para apolicações na jardinagem e para o cultivo de plantas e bonsais.

 

Ler artigo original sobre o substrato pomice para o bonsai.

 

No pinheiro de Buda também podemos misturar trinta por cento de kiryuzuna juntamente com setenta por cento de akadama hard quality.

 

A rega do bonsai podocarpus:

 

Qual a chave secreta para a rega do bonsai?

 

- A frequência e a qualidade.

 

Por norma regamos quando a terra à superfície começar a secar, nota-se pela cor mais pálida do substrato, mais fácil com akadama como já mencionamos. É primordial para uma boa saúde do bonsai manter as folhas secas, as folhas húmidas tornam-se folhas doentes, por isso é aconselhável regar de manhã para que as folhas tenham tempo de secar durante o dia. Se regarmos à noite as folhas vão permanecer húmidas por muito mais tempo e o bonsai torna-se mais sensível a fungos e doenças.

 

Regra geral, regar sempre de manhã, evitar regar durante a tarde nos dias de sol intenso porque corremos o risco de queimar as folhas do bonsai.

 

Ler artigo original sobre como regar o bonsai.

 

O transplante do bonsai podocarpus:

 

É uma fase necessária e indispensável na vida do bonsai. A época propícia para proceder ao transplante do bonsai podocarpus é no fim do inverno, início da primavera, mas temos que ter muita atençaõ para nunca transplantar uma conífera quando começar a brotação, altura em que não se deve tocar nas raízes.

 

Esta tarefa deverá ser efetuada a cada três a quatro anos, o torrão deve ter uma camada de raízes à volta do substrato, se o torrão não estiver envolto de raízes, pode não ser o momemto certo para o transplante e teremos que esperar mais um ano.

O transplante do bonsai tem como finalidade a renovação do substrato que ficou mais fraco, o corte de raízes muito compridas para provocar a ramificação de raízes mais finas junto ao tronco e também dar mais espaço ao torrão.

 

NOTA:

- Podemos aproveitar também para corrigir a posição do bonsai no vaso.

 

Ler artigo original sobre o transplante do bonsai.

 

 

 

CURIOSIDADE:

 

- O bonsai podocarpus é também chamado de pinheiro de Buda, mas não tem nenhuma característica específica dos pinus, a rebentação não apresenta qualquer vela como os pinheiros. A folha é achatada e não pica, é uma folha completamente diferente das agulhas dos pinheiros.

 

 

 

Multiplicação do bonsai podocarpus:

 

É mais fácil de reproduzir por estaca semilenhosa, a recolha das estacas deve ser feita no fim do verão até ao início do outono com madeira já amadurecida. regra geral em agosto até meados de setembro.

Consiste em recolher ramos com uma parte amadurecida e outra mais tenra e ainda verde na extremidade. Cortar um ramo de dez a quinze centímetros de comprimento, sempre abaixo de um nó, única zona onde podem nascer as futuras raízes. Tirar os galhos laterais e tirar também a quase totalidade das folhas, deixando apenas as duas ou três últimas folhas, o objetivo é preservar as reservas nessas últimas folhas, que por outro lado não podem ser muito grandes para não desperdiçarem a água pela evaporação ou transpiração.

 

As estacas serão de seguida enterradas até metade da sua altura num substrato muito leve composto por areia fina e turfa fina, apertando muito bem em volta para não deixar ar junto ao ramo o que provocaria a secura impedindo o nascimento de novas raízes.

 

Manter num ambiente húmido tipo nevoeiro até começar a ganhar as primeiras raízes, depois passar a regar com microaspersores.

 

Continuar a ler o nosso artigo original sobre como conseguir um bonsai a partir de estacas.

 

Também pode ser reproduzido por sementeira em estufa temperada de dezoito a vinte graus, o processo de germinação é muito demorado Semear num substrato composto por trinta por cento de areia fina, de preferência lavada e setenta por cento de substrato a base de folhas, tipo turfa, que deve ser muito fino, encher os  recipientes ou vasos, compactar ligeiramente e só depois repartir as sementes no substrato. Cobrir as sementes com uma pequena camada de substrato.

 

SEGREDO:

 

- Nunca cobrir as sementes com uma altura de substrato superior à espessura das próprias sementes.

 

Continuar a ler artigo original sobre a sementeira do bonsai.

 

A seguir mencionamos algumas espécies de podocarpus:

 

- Podocarpus andinua

- Podocarpus falcatus

- Podocarpus latifolius

- Podocarpus nagi

- Podocarpus elatus

- podocarpus totara

- Podocarpus elongatus

- Podocarpu nerifolius

 

O podocarpus macrophyllus ou pinheiro de Buda é um bonsai muito interssante, é sobretudo um bonsai simbólico pela sua origem.

 

É muito fácil de trabalhar e modelar e se não podar em demasia poderá conseguir uma linda frutificação nas plantas fêmeas.

 

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