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Alporquia do bonsai

alporquia do bonsai

Alporquia do bonsai.

 

O bonsai não é uma planta qualquer, mas no que toca à reprodução as semelhanças são as mesmas das outras plantas.

O bonsai distingue-se pelo facto de termos de o estilizar, moldar com podas específicas, colocar o arame de alumínio anodizado ou de cobre cozido e mantê-lo num vaso de tamanho reduzido, mas quando se trata da multiplicação as regras são as mesmas das outras plantas.

 

Existem vários métodos de multiplicação ao nosso alcance para conseguirmos um bonsai, desde a sementeira, a estaquia, a alporquia e o enxerto.

 

Hoje vamos falar da alporquia.

 

A alporquia é um método de propagação vegetativo idêntico à propagação por estacas, ou seja, a partir da alporquia obtemos exatamente o mesmo espécimen que a planta-mãe.

 

A vantagem da alporquia é que dá origem a réplicas de uma planta de especificidades idênticas. Enquanto que a reprodução por sementeira pode produzir indivíduos muito diferentes da variedade da qual a semente é obtida, uma estaca permite obter seguramente a mesma variedade da planta-mãe.

 

É uma vantagem de grande importância quando procuramos um bonsai com determinadas especificações.

 

A alporquia, embora não seja o método mais comum de multiplicação no mundo do bonsai, ainda assim é interessante conhecermos o processo.

 

Este fenómeno chama-se rizo génese, o que significa a formação e o aparecimento de novas raízes.

 

 

 

A alporquia do bonsai permite-nos obter um clone da árvore que queremos propagar.

 

 

Ou seja, uma cópia exata da árvore mãe, ao contrário das sementes, que, muitas vezes podem produzir uma planta diferente da árvore original. Podemos semear sementes de acer palmatum deshojo e nunca nascer nenhuma árvore de folha vermelha, nem parecida com a folha do deshojo, mas sim de acer palmatum verde.

 

A outra vantagem da alporquia é que nos permite propagar ramos com um diâmetro de vários centímetros, até mais de dez centímetros, o que é impossível com estacas, exceto com a bougainvillea, árvore espetacular no que diz respeito à multiplicação por estaca, onde podemos pegar num ramo do tamanho do nosso pugno, colocá-lo na terra e meses depois está enraizado, é uma planta excecional mesmo.

 

Por outro lado, a taxa de sucesso da alporquia é muito mais elevada e mais segura do que as estacas, uma vez que o ramo que decidimos propagar é sempre alimentado pelas raízes da planta-mãe, o que lhe permite continuar a viver normalmente, pelo menos até ao momento do desmame, quando separamos a alporquia enraizada da planta-mãe.

 

Ou seja, contrariamente à estaca que retiramos da planta-mãe, o ramo que queremos enraizar por alporquia, esse ramo só será cortado depois de estar enraizado.

 

A maior vantagem deste processo de propagação é a poupança de tempo que conseguimos obter, pois podemos conseguir um pré-bonsai com vários centímetros de diâmetro em apenas um ou dois anos. Todas as plantas não são iguais, podem apresentar características similares em altura, no diâmetros e na grossura do tronco, mas algumas têm um carácter próprio, um detalhe que faz toda a diferença, será então essa planta que escolheremos como pré-bonsai.

 

Um pré-bonsai é uma planta suscetível de ser transformada em bonsai, quer isso dizer que, com ferramenta adequada e arame, podemos definir um estilo de árvore em miniatura mais parecido com um espécime na natureza.

 

Ler artigo original sobre o prébonsai.

 

A única comparação que permite poupar tempo é a prática de Yamadori, o nome dado à colheita de árvores diretamente do meio selvagem e à sua transformação em bonsai.

 

Ler artigo sobre o yamadori e o bonsai.

 

Existem vários tipos de alporquia, mas apenas a alporquia aérea é utilizada em bonsai.

 

- Alpoprquia em cepo:

 

Este tipo de alporquia é utilizado principalmente para a propagação de árvores de fruto e porta-enxertos. Durante o inverno, a planta mãe é podada a cerca de dez centímetros do solo, até a primavera forman-se novos ramos e quando atingem cerca de dez centímetros de altura, formamos um monte de terra para os cobrir. No inverno seguinte, estes novos ramos  que já criaram raízes podem ser cortados. Em bonsai utilizamos esta técnica para o chaenomeles japónica e a érica.

 

- Alporquia enterrada ou mergulhia. Sashiki em japonês:

 

É reservada para plantas com ramos flexíveis. Isto consiste em dobrar um ramo em direção ao solo e enterrá-lo, deixando a extremidade exposta, sem o cortar da planta-mãe.

As raízes irão então crescer na parte enterrada. neste caso, o solo deve ser mantido húmido e bem drenado para evitar o apodrecimento do ramo.

No outono será possível separar o ramo com a alporquia da planta-mãe, cortando-o logo abaixo do início do bloco de raízes.

 

Utilizamos esta técnica para o chaenomeles japónica.

 

Consiste em procurar um ramo longo e flexível na parte inferior da árvore, curvá-lo em direção ao chão e cavar uma pequena vala com cerca de dez centímetros de profundidade, no local onde o ramo toca o chão. retiramos as folhas e eventuais ramificações na parte que ficará enterrada. Realizamos uma pequena incisão no ramo para retirar uma secção da casca. Colocamos substrato na vala e enterramos o ramo cobrindo-o com terra. Podemos manter o ramo no lugar com um gancho, uma estaca ou uma pedra. basta compactar ligeiramente.

Necessitamos de levantar a extremidade do ramo, amarrando-a a um tutor, regamos a parte enterrada sem a encharcar.

Na primavera, verificar-se a estaca enraizou suficientemente e se for o caso, podemos separá-lo da planta-mãe cortando o ramo logo antes das raízes, caso contrário, temos que aguardar até ao outono para o separar. Transplantar imediatamente e regar abundantemente para facilitar o seu enraizamento.

 

Outra árvore fácil de reproduzir por alporquia enterrada é o ficus carica, ou seja, a figueira: -

 

- Basta identificar um ramo jovem, suficientemente comprido e próximo do solo. Aproximando-o  do solo e cavando uma pequena vala nesse local. Executamos um corte na parte do ramo que ficará enterrada. Colocamos terra de cultivo na vala, dirigimos aí o ramo com o corte, cobrindo-o com substrato e mantemo-lo no lugar com um gancho ou uma estaca. Colocamos um tutor para manter a extremidade do ramo na vertical. Regamos, em seguida, a parte enterrada. Verificamos no outono se criou raízes suficientes. Se for o caso, podemos separá-la da planta-mãe, caso contrário esperamos mais algum tempo até ter raízes suficientes.

 

Também podemos experimentar com o azevinho, ou seja, o ilex aquifolium, mas normalmente leva muito mais tempo a enraizar, cerca de dois anos, por isso para esta espécie é preferível apostar na estaca.

 

- Alporquia deitada:

 

Utilizamos este método para o rododendro, o viburnum e a potentilla.

 

Consiste em escolher um ramo com brotos de agosto, saudável, maduro, cujas características pretendemos reproduzir. Deve ser suficientemente flexível para poder ser dobrado até ao solo. Retirar as folhas e os ramos secundários de toda a parte que será enterrada.

 

Realizar um pequeno corte na casca e se necessário, mergulhar ligeiramente em hormona de enraizamento.

A seguir enterrar essa parte do ramo a cerca de cinco centímetros de profundidade num solo bem preparado como por exemplo um terço de terra de jardim, um terço de areia e um terço de substrato ou turfa.

Prender o ramo debaixo da terra com pedras ou um grampo em U. Uma estaca de tenda serve perfeitamente.

Levantar a parte do ramo que não está enterrada e mantê-la direita com a ajuda de um tutor.

Regar regularmente para manter o solo húmido.

 

- Alporquia aérea ou Toriki em japonês:

 

Este é o método de propagação do bonsai mais utilizado e sobretudo o mais fácil e menos dispendioso. É uma técnica de propagação de planta praticada acima do solo, executada diretamente sobre um caule lenhificado, ou seja, com a aparência de madeira. Muito utilizada para a multiplicação dos aceres.

Geralmente feito na primavera em árvores perfeitamente saudáveis, com uma massa foliar favorável ao crescimento da árvore, caso contrário a alporquia poderia não sobreviver. O desmame, ou por outras palavras, a separação do rebento da árvore-mãe, tem lugar no inverno ou, o mais tardar, na primavera seguinte.

 

Como fazer uma alporquia aérea com sucesso?

 

A boa escolha do ramo:

 

- Escolher um ramo saudável e bem alinhado que já esteja predisposto a formar um bonsai, com ramos bem estruturados, facilitando o trabalho futuro de estilização, se possível já com algum movimento.

 

Deve-se dar preferência a um ramo saudável e bem lenhificado, nem demasiado jovem nem demasiado velho, com um diâmetro suficiente, no mínimo cerca de um a dois centímetros, escolher um ramo sem lesões, nem sinais de doenças, situado a uma altura adequada para facilitar a operação e que suporte o peso do substrato sem risco de se partir.

 

- Um ramo completamente nu, sem qualquer ramificação, não tem qualquer interesse. Muitas vezes aproveitamos esta oportunidade para corrigir um erro que a árvore apresente, sem a danificar e assim realizamos dois trabalhos ao mesmo tempo, o primeiro para retificar um movimento inestético e o segundo para ter uma planta idêntica à nossa árvore. É o caso, por exemplo, de uma árvore de bonsai que consideramos demasiada alta e que queremos reduzir, pelo que a alporquia nos permite baixar a altura do nosso sujeito e em troca obtemos uma nova árvore que podemos treinar como bonsai.

 

Conheça os passos a seguir para realizar uma alporquia de forma segura:

 

1º- Temos que retirar os rebentos e as folhas sobre mais ou menos vinte a trinta centímetros.

 

2º- Podar a casca: com uma faca ou melhor ainda com uma faca de enxerto, fazer um primeiro corte. A incisão deve formar um anel à volta da haste. Fazer uma secunda incisão, outro anel, a cerca de cinco centímetros da primeira e agora ligar os dois por uma incisão ao longo do ramo.

Se o espaço entre as duas incisões for demasiado pequeno, menos de um centímetro, existe o risco de as duas partes ficarem juntas, não deixando qualquer hipótese de criar novas raízes.

 

Em seguida, remover a casca cortada.

 

DICA:

 

- O anel que fica mais longe do tronco ou ramo principal deve estar por baixo de um gomo, que é o único local possível para o nascimento de novas raízes.

 

Eventualmente, mas não obrigatório, podemos polvilhar a área onde removemos a casca com uma hormona de enraizamento.

 

3º. Aplicar uma boa camada de musgo esfagno previamente humedecido à volta do ramo onde removemos a casca, também podemos utilizar akadama hard quality ou substrato de cultura, peneirada e drenante. O objetivo é recriar um meio propício à criação e desenvolvimento de novas raízes.

 

4º- Envolver tudo com uma manga plástica ou com uma garrafa de plástico cortada ao meio por exemplo e prender com arame de alumínio ou ráfia, começando pela parte inferior.

 

 

5º- Envolver tudo com folha de alumínio para esconder a alporquia da luz.

 

 

Verificar a humidade do substrato a cada quinze dias e regar com uma seringa, perfurando a parte superior do plástico, se necessário.

 

 

DICA:

 

- Desinfetar sempre a ferramenta de corte com álcool ou um produto específico. Controlar a humidade para evitar o apodrecimento, arejar ligeiramente a película de plástico abrindo pequenas aberturas e remover rapidamente as folhas mortas que possam favorecer o desenvolvimento de agentes patogénicos.

 

IMPORTANTE:

 

- Qualquer que seja o material escolhido para envolver o substrato, uma garrafa de plástico ou um vaso de plástico  cortado ao meio, a cobertura deve ter sempre alguns furos  na parte inferior para deixar sair o excesso de água. De facto, é importante lembrar que a água da chuva escorre pelo ramo e entra sempre no torrão, pelo que é essencial assegurar que sai, caso contrário existe o risco de apodrecimento e nenhuma possibilidade de obter novas raízes..

 

Com alguma regularidade podemos verificar o estado do torrão removendo algum musgo ou substrato e ver se começam a aparecer novas raízes especialmente para nos certificarmos que o musgo ou substrato está suficientemente húmido para permitir a formação de raízes novas. Quando um sistema radicular suficientemente grande se tiver formado, podemos então separar permanentemente a alporquia da planta-mãe. isto pode levar de alguns meses até um,ano, dependendo da espécie. Cortar o ramo da alporquia logo abaixo das raízes e replantar imediatamente numa mistura leve e drenante, mantendo um nível de humidade constante. Pode ser com akadama hard quality, um substrato que evitará o risco de apodrecimento das raízes, mantendo ao mesmo tempo uma humidade suficiente e promovendo o arejamento radicular necessário.

 

Este é um momento crucial para a nova planta porque até agora era alimentada pela planta-mãe, agora são as suas próprias raízes que a devem alimentar, por isso é muito importante não faltar água e não devemos cometer o erro de fertilizar, qualquer adubo utilizado poderia  queimar as novas raízes.

 

A alporquia está mais difundida para a multiplicação de árvores folhosas, embora que por vezes torna-se muito difícil em espécies como o carvalho.

 

DICA:

 

- No caso de coníferas ou resimosas, não é aconselhável remover parte da casca, neste caso procedemos de forma diferente, sem fazer qualquer incisão, apenas colocando um torniquete de arame grosso de alumínio, muito apertado em torno do ramo ou tronco que pretendemos multiplicar. A contração do ramo obriga a seiva a parar neste sítio provocando uma reação de sobrevivência e assim sendo começa o nascimento de novas raízes.

 

NOTA:

 

- Nunca usar arame de cobre, uma vez que é muito tóxico para as raízes.

 

As raízes podem demorar muito mais tempo a aparecerem em coníferas do que em árvores folhosas, uma vez que este fenómeno pode durar várias estações.

 

É importante verificar constantemente o estado de desenvolvimento das raízes removendo um pouco de musgo ou substrato e só quando o bloco de raízes estiver bem desenvolvido é que separamos a alporquia da planta-mãe.

 

 

NOTA:

 

- A seguir ao corte para separar a nova planta da planta-mãe, convém aplicar uma pasta cicatrizante sobre o ramo da planta-mãe, para evitar a entrada de fungos e outras doenças. O objetivo da pasta de cicatrização é proteger o bonsai da agressão externa, impedindo que o ar e doenças penetram na ferida. Algumas árvores de bonsai, tais como o ficus retusa e o ficus carica não requerem necessariamente de pasta de cicatrização. De facto, o látex segregado pelo próprio ramo é suficiente para a desinfeção e respetiva cura.

 

 

Ler artigo original sobre a cicatrização do bonsai e a pasta cicatrizante.

 

 

A alporquia do bonsai é mais um método de multiplicação que temos à nossa disposição para conseguirmos um bonsai. 

 

 

 

O mais fácil será sempre a sementeira para as plantas predispostas a este tipo de reprodução e para os mais experientes no que toca ao cultivo temos a estaquia e por fim existe também a enxertia, método muito pouco utilizado em bonsai, mais comum para corrigir erros grosseiros no bonsai.

 

Saiba mais sobre o cultivo e a manutenção do bonsai com os nossos artigos dedicados no nosso blog e com a procura facilitada graças ao nosso léxico onde cada letra redireciona sobre o artigo pretendido.

 

Caso necessite de ajuda para efetuar alguma tarefa estamos à disposição para ajudar, no nosso viveiro em Maceda, aos fins de semana das 10h às 12h e das 14h30 às 17h, outros dias por marcação prévia.

 

Visite-nos em Maceda no distrito de Aveiro e a trinta quilómetros de Porto e cinquanta quilómetros de Águeda.

 

Ver:

 

- a sementeira do bonsai

- a estaquia do bonsai

- a enxertia do bonsai.

 

Cultive a Paz. Crie a Arte.

 

 

 

 

 

 


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