
Mudas de juniperus itoïgawa iberbonsai
Transplante de mudas de bonsai.
Para começar, o que chamamos de mudas de bonsai?
São plantas novas que se conseguem a partir de semente ou de estaca principalmente, já que por enxertia costumamos ter uma planta já enraizada, que é o porta enxerto. A sementeira, ou Misho em japonês, é o caminho mais seguro para conseguir um nebari de exceção, só que não é a técnica mais simples de reprodução e não convém a todos os bonsais, porque não se consegue a variedade pretendida, ou seja, se semear sementes de acer palmatum deshojo por exemplo,o mais certo é que nasçam plântulas de acer palmatum que podem ser vermelhas ou verdes, mas de longe sem nenhuma correspondência ao deshojo, este último só se consegue por estaca ou enxertia. É o problema da sementeira, é que não temos cem por cento de garantia de produzir o equivalente ao que semeamos, só se tivermos a certeza da origem com sementes certificadas. Nas coníferas é muitas vezes preferível a propagação por estaca em vez da sementeira, exceto nos pinus, que eles nunca se multiplicam por estaca, mas sim por sementes selecionadas
Quando falamos de mudas de bonsai, estamos a falar de plantas jovens e nos primeiros anos, principalmente o primeiro, são excessivamente sensíveis, ainda têm pouco sistema radicular e sobretudo as raízes são tão finas que são parecidas com cabelos e extremamente quebradiças.
Só se podem manusear com minúcia!
Os diferentes métodos de propagação, tais como a sementeira e a estaquia como já vimos, que são frequentemente utilizados para reproduzir a maioria das espécies de bonsai, levam a um tratamento diferente quando se trata de transplante.
O transplante de mudas de bonsai
Antes de mais, vamos explicar qual é a técnica de sementeira ou estaquia num viveiro.
Aquilo que chamamos de viveiro de reprodução é um terreno que ocupa um espaço muito pequeno, alguns metros quadrados por exemplo, composto por uma mistura de substrato muito fino e areia lavada que também é muito fina e mais importante ainda, tudo se passa numa atmosfera controlada.
O princípio é o de uma sementeira densa numa superfície muito reduzida, tornando assim possível estar muito atento a doenças e pragas como caracóis, lesmas e fungos.
Para a maioria dos bonsais, a sementeira deve ser controlada, ou seja, devemos ser capazes de manter a temperatura a mais ou menos quatorze graus durante a noite e vinte e quatro graus durante o dia, o que nos obriga a proteger o pedaço de terra onde vamos semear as plântulas, com vidro ou plástico de estufa. Existe no mercado um sistema de aquecimento por cabos, enterrados nos primeiros centímetros do substrato e que aquecem por baixo, muito eficaz e sobretudo muito económico, estão ligados a um transformador que reduz a corrente elétrica e assim elimina qualquer tipo de risco por eletrocussão. A vantagem deste tipo de aquecimento é que é utilizado num espaço muito reduzido, aquecendo diretamente as raízes sem necessidade suplementar na parte aérea. Basta cobrir com um filme plástico até mais ou menos cinquenta a oitenta centímetros de altura e o espaço aquece rapidamente, podendo-se manter a temperatura à volta dos 14 graus durante a noite graças a um termostato regulável.Podemos regar por cima sem nenhum problema, os cabos estão isolados e protegidos para durar muitos anos. Na iberbonsai o nosso sistema enterrado já tem mais de vinte anos e funciona vários meses por ano, está enterrado numa fina camada de argila expandida em cima de placas de esferovite para garantir o isolamento e reduzir as perdas de calor. Deste modo é fácil conseguir a temperatura ambiente durante a noite e de dia, já que o termostato está desligado, podemos abrir o filme plástico para arejar o espaço e evitar o apodrecimento das mudas.
Ler artigo original sobre a sementeira do bonsai.
Na maioria das vezes a sementeira é feita à mão, sem fazer um buraco de antemão, de modo que mais tarde teremos de remover as plântulas mais fortes para dar lugar às outras.
O mesmo é válido para as estacas onde, na maioria dos casos, são criadas em caixa onde as estacas são alinhadas umas contra as outras até se enraizarem.
Existem placas em alvéolos próprias para sementeira, onde podemos colocar uma a uma cada semente, mas é um sistema pouco rentável, leva muito mais tempo na realização da sementeira em si e mais tarde não se justifica no caso de ter uma taxa muito baixa de germinação. Compensa mais semear as sementes mais juntas e mais tarde começar a retirar as mais fortes e assim consecutivamente. Também existem placas para estacas, o principal inconveniente é que leva muito mais tempo a colocar cada estaca em cada espaço no tabuleiro e não é fácil apertar como deve ser para que não fique ar entre o substrato e a estaca.
A estaca também requer proteção, com uma cobertura de vidro ou plástico para proteger do frio e da chuva, devemos ser absolutamente capazes de controlar o nível de humidade, este é o fator mais importante para o sucesso e desenvolvimento das futuras raízes das estacas.
Recomenda-se a rega tipo nevoeiro, uma vez que demasiada água causará apodrecimento e água insuficiente provocará a seca e morte da estaca. Por conseguinte, é primordial manter um certo nível de humidade no ambiente, tendo em conta que esta deve ser monitorizada em qualquer altura.
Assim, chamamos transplante de mudas o facto de remover as plantas novas mais avançadas do seu ambiente, de modo a deixar espaço para que as outras continuem a desenvolver-se.
Esta operação é realizada quando as jovens plântulas têm algumas folhas e consiste em remover delicadamente cada plântula, uma a uma, utilizando um pequeno pedaço de madeira, tipo lápis, que é empurrado para o solo debaixo da plântula, a fim de a remover do substrato, evitando ao máximo quebrar as frágeis e ainda tenras raízes.
Levantando-o cuidadosamente enquanto a seguramos por um ou mais cotilédones, que são as duas primeiras folhas que emergem da semente, mas nunca pelo caule, que é demasiado frágil.
Sem perda de tempo devemos transplantá-los e colocá-los num novo substrato. Formamos um buraco no novo substrato com o nosso dedo ou uma pequena vara, pomos a plântula no mesmo e colocamos suavemente a terra à volta das raízes, tendo o cuidado de cobrir bem as raízes com substrato.
O substrato utilizado deve ser suficientemente fino, de boa qualidade e não conter quaisquer elementos de granulação grosseira para facilitar o contacto com as raízes sem as cortar.
Neste fase o stress é imenso e é aconselhável sermos muito rápidos entre o momento em que a jovem muda é arrancada e o momento em que é reintroduzida no solo.
Alguns rebentos jovens podem mesmo morrer em resultado do desenraizamento, o que pode causar a fratura das raízes, uma vez que a plântula é tão jovem que não pode suportar esta mudança súbita, pelo que qualquer precaução é absolutamente importante.
Qual é a vantagem de um transplante de muda?
Quando as plântulas estão apinhadas após a sementeira ou a estaquia, têm de lutar entre si por alimento assim como água e nutrientes. Cada um deles procura luz e quanto mais se encontram apinhados, mais se estenderão na esperança de se erguerem acima dos outros para captar o máximo de luz possível.
As plântulas mais fracas tornam-se vulneráveis a doenças e fungos, que podem contaminar o resto da sementeira ou das estacas, com resultados negativos e prejuizos avultados.
A mudança das jovens plântulas para um novo meio de crescimento permitir-lhe-á continuar a crescer nas melhores condições. Em princípio, transplantamos primeiro em tabuleiros térmicos com dezenas de orifícios com mais ou menos cinco centímetros, o que é um método mais rápido e mais económico do que a utilização de vasos individuais.
Mais tarde, serão colocados em vasos de plástico individuais ligeiramente maiores, com mais ou menos sete a nove centímetros.
O transplante de mudas é feito todos os anos na primavera para plantas jovens a partir de sementes ou estacas, utilizando um substrato baseado em turfa e folhas em decomposição. O objetivo, para além de revigorar o substrato, é dar força às raízes, cortando-as ligeiramente para que criem novas e finas raízes tão próximas quanto possível do tronco principal.
NOTA:
- O momento certo também é importante, e como já falamos no nosso artigo sobre a sementeira do bonsai, temos que ter em consideração a fase da lua e ao contrário do que acontece no momento da sementeira onde devemos esperar pela lua crescente, para o transplante de mudas de bonsai devemos esperar pela lua descendente, e porquê? Porque a seiva durante esse período desce em direção às raízes facilitando assim o seu desenvolvimento.
- Não é nenhum mito, a lua tem um poder natural sobre a terra, o oceano e sobre as plantas, é incontornável e para garantir o maior sucesso tanto na sementeira como no transplante de mudas temos que ter em consideração as diferentes fases lunares e escolher o momento certo para cada tarefa. Não é por acaso que os anciões falavam sempre da lua quando tratavam do seu jardim, não inventaram nada, só puseram em evidência a realidade a qual temos que nos submeter se quisermos ter resultados nas nossas produções.
Na antiguidade baseavam-se nos momentos ditados pela religião que por acaso eram sempre ditados pelas fases da lua. A sementeira é uma técnica muito incerta e mesmo com o máximo dos cuidados que podemos ter, nunca é possível prever com antecedência o resultado, uma taxa de sucesso fabulosa ou um fracasso total, acontece a mesma coisa na natureza onde há anos com muito reprodução e outros anos com muito menos. Da qualidade das sementes passando pelas condições climáticas na altura e também o estado do solo, que pode estar seco ou pelo contrário encharcado, existem inúmeros fatores que condicionam a germinação das sementes.
Quando fazemos o transplante de mudas de bonsai, este é também o momento de cortar a raiz axial o mais curto possível para induzir raízes radiais novas e mais finas. Só se pode cortar a raiz axial se houver muitas raízes finas mais acima, caso contrário teremos que aguardar.
É assim que começa a criação do nebari.
Ler artigo sobre o nebari do bonsai.
Após o transplante, é necessário regar copiosamente o solo e humedecê-lo completamente, mas sem saturar o substrato com água, uma vez que as novas raízes ainda não estão presas ao substrato e poderiam facilmente ser asfixiadas.
NOTA:
- Nunca se deve aplicar nenhum adubo a seguir ao transplante de mudas de bonsai, mas sim, é possível ajudar com as nossas vitaminas Vitabonsai a razão de quarenta gotas por litro de água. É um fertilizante organo-mineral líquido com efeito imediato para as plantas e que deve ser adicionado à água de irrigação. Ativa o crescimento, as folhas ficam mais verdes, favorece a floração, aumenta a resistência ao frio e às doenças. Previne o choque após o transplante e acelera a produção de raízes nas plantas recuperadas. O Vitabonsai não é um pesticida e não é tóxico para as plantas. Deve ser utilizado como complemento ao adubo e não como substituto.
Composição - organo-mineral NP8-2 com micronutrientes, ou seja:
- Azoto N total 8%: azoto orgânico 4% e azoto amoniacal 4%.
- Anhídrido fosfórico P2O5 2% solúvel na água e no citrato de amónio neutro 2%. Carbono C orgânico 9% Componentes: agente quelante EDTA; intervalo de PH que garante uma boa estabilidade da fração quelatada 4 a 7,5.
Modo de usar:
- Aplicar dissolvido na água de irrigação e nas doses recomendadas.
- Armazenar em local fresco e protegido da luz. Mexer antes da utilização.
Dosagem recomendada:
- Manutenção: vinte gotas por litro de água de quinze em quinze dias;
- A seguir ao transplante: uma aplicação com quarenta gotas por litro de água
- Por bonsai debilitado: uma aplicação com sessenta gotas por litro de água.
Ler mais sobre o vitabonsai.
É igualmente aconselhável colocar as plantas recém plantadas numa zona sombreada para evitar o stress hídrico e as queimaduras solares, mesmo antes de terem tido tempo de enraizar.
O sucesso desta operação depende sobretudo da qualidade do substrato em que cultivamos as jovens plantas de sementeira ou estacas e a maneira como removemos as plântulas sem causar danos às raízes utilizando um pequeno pedaço de madeira ou um lápis, mas se o substrato não for adequado o resultado será a fratura das raízes causando a morte das plantas jovens.
Para tal podemos utilizar um substrato contendo areia fina lavada misturada com turfa fina, é a areia fina que ajudará a remover as plântulas sem quebrar as raízes, uma vez que não se agarram aos grãos de areia, facilitando assim a sua libertação.
Qual a diferença entre o transplante de bonsai e o transplante de mudas de bonsai?
O transplante de mudas de bonsai é sempre feito na primavera, quando as estacas do final do verão anterior estão finalmente enraizada.
O transplante de bonsai tem lugar no inverno até ao início da primavera. No inverno para as espécies de folha caduca, no fim do inverno, ou seja, fim de fevereiro início de março para as coníferas, mas sempre antes do início da brotação, igualmente no início ou durante o mês de março para o bonsai tropical, ou seja, o bonsai de interior.
Sempre em função do clima, como há anos mais frios e anos mais quentes, lembramos que no cultivo do bonsai não é o calendário que manda, mas sim o tempo real, ou seja, o clima no momento e no local.
Ás vezes clientes trazem-nos bonsais para fazermos o transplante pensando que é a altura certa, mas considerando no momento o estado do bonsai, aconselhamos a esperar mais um ano afim de não correr o risco desnecessário e ver o bonsai a sofrer por causa do stress. Basta olhar para a árvore e ver o seu estado fisiológico para decidir se é ou não a altura certa para mexer nas raízes.
Ler artigo original sobre o transplante do bonsai.
A principal diferença entre as duas técnicas é que para as plantas cultivadas a partir de sementes ou estacas, as plântulas estão em raiz nua, enquanto que no transplante do bonsai as árvores ficam sempre com pelo menos sessenta a setenta por cento das suas raízes no substrato original.
É por isso que o transplante de mudas é uma fase importante, em primeiro lugar para assegurar o crescimento da planta, que não pode viver para sempre num ambiente sobrelotado, e em segundo lugar para permitir o desenvolvimento de novas raízes perto do tronco, uma operação que tem lugar à medida que se realizam sucessivos transplantes.
Não é assim tão complicado realizar o transplante das mudas de bonsai, é muito mais difícil fazê-las nascer sejam elas de sementeira ou de estaca, o transplante com alguma atenção na tarefa e respeitando a altura indicada, será mais fácil atingir.
Ajudamos com os nossos artigos técnicos explicando como realizar uma sementeira ou como conseguir um bonsai a partir de estaca, qual o substrato mais indicado para o tipo de muda ou bonsai. É fácil chegar ao artigo correspondente à nossa procura, basta escolher a letra inicial, por exemplo S para sementeira, M para mudas, E para estaquia e assim sucessivamente.
Ver o nosso léxico.
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