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Bonsai, tanuki, o que é?
O que é o bonsai e a sua arte?
O bonsai é originário da China. Pun-Sai na época dos Tsin no século III A.C. No período Kamakura entre 1885 e 1333, o bonsai foi desenvolvido por religiosos budistas.
Depois, muitas escolas surgiram, cada uma com estilos e pensamentos próprios. No Japão, é a partir do século VI que se começa a falar pela primeira vez de bonsai. Em japonês, quer dizer criado num prato raso.
No caso que tratamos hoje, não tem nada a ver com uma árvore criada num prato, ou seja, num vaso raso; pelo contrário, para obter uma planta viva com comprimento e diâmetro reduzido,é necessário recorrer a exemplares cultivados em contentores ou bandejas pequenas, permitindo o seu crescimento livre e sem podas, de modo a preservar toda a extensão e reduzir as ramificações laterais, visando aproveitar o máximo da haste para a base pretendida.
A arte do bonsai é a réplica duma árvore na natureza.
Pén Tsai em chinês, são árvores retiradas da natureza e plantadas em vasos pintados à mão.
É no século XIX que aparece na Europa, na Exposição Universal de Paris em 1878 e na Exposição de Londres em 1909.
Consegue-se um bonsai com a poda das raízes e dos ramos e a aramação dos ramos com arame de alumínio anodizado ou de cobre cozido.
Ler o nosso artigo original sobre a arte do bonsai.
O termo Tanuki é de origem japonesa e identifica um mamífero, o cão-guaxinim!
No Japão, há uma lenda sobre um monje itinerante que viaja por vilas e áreas rurais enganando as pessoas e fazendo-as crer em algo que não é real, como a transformação de um objeto noutro para roubar os seus bens e dinheiro.
No universo do bonsai, a expressão mantém essa essência da ilusão visual. O tanuki é, afinal, um bonsai autêntico ou uma montagem?
Mas então o que é um tanuji?
O que normalmente se refere como tanuki é um tipo de bonsai que resulta da combinação de uma árvore morta com uma árvore viva, o que gera a dúvida se realmente estamos a lidar com um bonsai ou uma simples montagem.
Verdadeiro ou falso?
É um bonsai para uns e é uma montagem para outros, sendo, portanto, considerado um truque no universo do bonsai.
Por muitos, é considerado um truque ou uma escultura em madeira; para outros, uma técnica artística reconhecida mundialmente. A verdade é que, no Japão,os tanukis raramente são aceites em exposições profissionais rigorosas porque não são considerados bonsais genuínos desenvolvidos tradicionalmente desde a raiz.
Assim sendo, o chamado tanuki existe no universo do bonsai e é reconhecido mundialmente; embora não seja classificado como um estilo, trata-se de uma técnica utilizada para compor a aparência de uma árvore, envolvendo a poda de raízes e ramos, além da estruturação com arames de alumínio anodizado ou de cobre cozido.
Embora o tanuki não seja considerado como um estilo formal, trata-se de uma técnica de composição que envolve a fusão de uma estrutura de madeira morta com uma planta jovem e viva.
O objetivo é imitar o estilo Sharimiki, ou seja, estilo de bonsai com madeira exposta, retorcida, esbranquiçada e polida pelas intempéries do tempo, focando-se mais na escultura da madeira do que no cultivo prolongado da árvore.
Ler artigo sobre os estilos de bonsais.
A filosofia de cultivo:
Na iberbonsai, acreditamos que a essência do bonsai reside no compromisso e na paciência do processo: cultivar a planta desde a semente, estaca ou trabalho de estruturação individual ao longo dos anos.
Não atribuímos valor moral a comercialização de árvores extraídas da natureza, ou seja, de yamadori ou de montagens artificiais como o tanuki.
Embora cada entusiasta tenha total liberdade para praticar esta técnica em sua casa, promover comercialmente árvores retiradas da natureza ou montadas artificialmente não reflete uma postura ética perante o respeito pelo ciclo natural da planta.
Para nós, na iberbonsai, também não é considerado um bonsai. Cultivamos bonsais desde a sua semente ou a partir de estacas, com um forte compromisso nesse processo, pois acreditamos que um bonsai deve ser criado desta maneira. valorizamos os produtores que dedicam muito tempo a cuidar e estruturar cada bonsai individualmente, e não atribuímos valor moral à comercialização de bonsais supostamente originados de yamadori ou de montagens, como os tanukis. Em casa, cada um tem a liberdade de agir como desejar, mas promover árvores extraídas da natureza ou que dela provenham para fins comerciais não é propriamente ético!
Retornando ao tema do tanuki, inicialmente devemos ter o mesmo cuidado com a madeira morta e a árvore viva, mas frequentemente essa não é a realidade, em que o foco principal é o resultado final como uma peça, independentemente da espécie. É uma abordagem de treino que consiste em combinar uma árvore viva com a casca de uma árvore que já morreu.
Na verdade, é mais uma forma de arte elaborada sobre madeira morta do que um bonsai genuíno. O intuito é criar a ilusão de uma única planta; apenas com bastante tempo e paciência, o resultado pode surpreender o observador, pois a semelhança com uma árvore verdadeira na natureza será evidente. No entanto, nem todas as variedades de bonsai são adequadas para essa técnica. A espécie mais fácil de alcançar essa ilusão é o Juniperus, que é mais simples de trabalhar quando jovem. O primeiro passo no tanuki é encontrar a madeira morta que servirá de suporte para a árvore viva. Ao percorrer a floresta, poderá encontrar um toco ou um fragmento de tronco morto com um relevo ou padrão que favoreça a ilusão que deseja conferir ao seu tanuki.
Após localizar a base da sua obra de arte, inicia-se o processo de limpeza e preparação para a sua preservação.
O primeiro passo consiste em limpá-la com uma escova ou, se necessário, com um raspador. Não devem restar impurezas na parte morta do tronco. Podemos aproveitar a oportunidade para esculpir certas áreas da madeira morta conforme a nossa preferência, a fim de obter a silhueta desejada.Por exemplo, é possível utilizar um cinzel afiado ou uma goiva para criar um pequeno sulco ao longo do tronco, semelhante a uma calha, onde a parte viva da planta será acomodada. Este entalhe não precisa ser profundo, o objetivo é garantir que a madeira viva se encaixe perfeitamente na madeira morta. Em seguida, imergimos o tronco, ou parte dele, por no mínimo vinte e quatro horas numa solução de água com lixívia, com o objetivo de eliminar fungos ou insetos que possam estar presentes na madeira.
Após esse processo, o tronco deve secar ao sol pelo maior tempo possível antes da aplicação de um agente desinfetante, como ácido sulfúrico ou líquido jin. O intuito é não apenas branquear a madeira, mas principalmente, protegê-la contra o apodrecimento, fungos e bactérias. Deixar secar novamente ao sol durante vários dias antes de usar.
IMPORTANTE:
- A madeira escohida deve ser firme e resistente à humidade e ao apodrecimento.
NOTA:
- Lembramos que, infelizmente, o chamado líquido jin é proibido em Portugal e Espanha, embora seja autorizado e vendido sem restrições em países como a França e a Itália, igualmente membros da C.E.E.
Até hoje, não compreendemos a razão desta disparidade. São os mistérios da União Europeia, onde também é proibida a importação de áceres e pinus da China para Portugal, enquanto outros países da União podem fazê-lo. O que torna Portugal diferente e por que razão temos que comprar a países vizinhos o que poderíamos importar diretamente da China?
Resta-nos então a alternativa de utilizar ácido sulfúrico, mas com extrema cautela: adicionar sempre o ácido à água e nunca o inverso por simples razão de segurança.
Basta repetir o processo camada a camada, aumentando gradualmente a concentração do ácido na mistura.
SEGURANÇA:
- Tanto na utilização do líquido jin, para quem tiver acesso ao produto, quanto do ácido sulfúrico, é indispensável o máximo cuidado para proteger as raízes, que nunca devem entrar em contato com a substância, sob risco de queimaduras imediatas. Convém proteger o torrão com um pano ou plástico antes da aplicação ou, alternativamente, virar o bonsai de cabeça para baixo ao realizar a pincelagem com o ácido.
Agora abordemos a parte viva.
É fundamental selecionar uma árvore jovem ou uma muda com alguns anos para facilitar o manuseio.
O juniperus, como o juniperus tamariscifolia, ou seja, a sabina,por exemplo, adapta-se particuilarmente bem a esta técnica. É uma das árvores mais resistentes a traumas, como as perfurações no caule necessárias para a fixação na madeira morta. O juniperus conferta Schlager também é muito adequado para este fim. Na iberbonsai, dispomos de várias mudas com alguns anos que deixamos crescer em comprimento, sem poda. Por apresentar pouca ramificação, este juniperus torna-se ideal para a técnica Tanuki.
É preferível escolher uma árvore longa, esguia e que não seja excessivamente grande.
A operação deve ser realizada durante o inverno, o único período em que a parte viva que se pretende sobrepor à madeira morta está em repouso, reduzindo drasticamente o risco de stress para a planta. Escolher, preferencialmente, um tema que facilite o alcance do nosso objetivo final, garantindo que o conjunto seja proporcional para manter um visual agradável.
A união das duas peças:
- A parte morta consiste no trabalho estético em si, que pode ser uma escultura em madeira na qual acoplaremos uma árvore viva. podemos deixar a imaginação fluir livremente, desde que seja possível integrar a parte viva ao projeto, ou seja, devemos ser realistas e evitar curvas excessivas na parte natural, permitindo que o tronco principal da a´rvore viva siga um trajeto mais ou menos natural. Lembremos que, para manter uma árvore viva, o solo é fundamental, por isso, é aconselhável plantá-la num substrato adequado, garantido as melhores condições de sobrevivência.