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Enxertia do bonsai

 

Enxertia do bonsai.

 

Para conseguir um bonsai, temos várias soluções ao nosso alcance, desde a sementeira, passando pela estaquia, pela alporquia e pela enxertia, que também é um meio de propagação. Esta técnica baseia-se na união de tecidos vegetais de dois sujeitos, que podem ser diferentes, mas compatíveis entre si por pertencerem a espécies próximas. Cada método de propagação tem o seu tempo recomendado para a altura do ano.

 

Mas, se não estiver disposto a apostar em nenhum meio de reprodução, poderá adquirir um bonsai ou um pré-bonsai, cujo caminho até ao bonsai já está predefinido.. Todas as plantas são diferentes; podem apresentar algumas características semelhantes em altura, no diâmetro e na  grossura do tronco, mas algumas têm um caráter próprio, um detalhe que faz toda a diferença. São, então, essas plantas que escolhemos como pré-bonsai.

 

Um pré-bonsai é uma planta suscetível de ser transformada em bonsai, o que significa que, com a ferramenta adequada e arame, podemos definir um estilo de árvore em miniatura mais próximo do que o de um espécime na natureza. Na Iberbonsai, fornecemos todo o tipo de ferramentas e acessórios necessários para o tratamento do bonsai e do pré-bonsai.

 

O pré-bonsai é uma pequena árvore com alguma particularidade que pode tornar-se um magnífico bonsai. Para isso, são necessários alguma imaginação, tempo e dedicação.

 

Por vezes, basta criarmos algumas curvas, colocarmos arames nos ramos maiores, orientá-los para formar o estilo desejado e podarmos os ramos mais finos para obter um aspeto de bonsai.. O pré-bonsai não se consegue de um momento para o outro, mas sim ao fim de alguns anos; pelo menos quatro ou cinco anos são necessários para obter um resultado satisfatório, e muitos mais para obter um verdadeiro bonsai.

 

Ler artigo original sobre o pré-bonsai.

 

 

 

Sobre a enxertia do bonsai.

 

 

Na natureza, podemos ver árvores a tocar-se umas às outras e a continuar a crescer pela fusão. Desta forma, as partes de uma planta que tocam os ramos de outra ligam-se espontaneamente entre si, formando uma única árvore.

 

Por que temos que recorrer a técnicas especiais para conseguir um bonsai ou pelo menos multiplicá-lo?

 

Simplesmente porque nem todas as variedades conseguem-se de outro modo.

 

Lembramos que o termo variedade é utilizado para distinguir plantas da mesma espécie. As características da planta podem ser transmitidas de uma geração para a seguinte por meio de sementes.

 

Um cultivar é o resultado de uma hibridação, de uma seleção ou de uma mutação.

 

Ao contrário de uma variedade, um cultivar não pode transmitir as suas características por semente. Um cultivar deve ser reproduzido vegetativamente, por exemplo,por meio de estacas. Por norma, a variedade ou o cultivar deve ser escrito entre aspas e com letra minúscula.

 

Com as sementes, nem sempre conseguimos reproduzir uma variedade específica, a menos que se trate de sementes selecionadas ao longo de muitos anos.

 

A enxertia do bonsai é mais segura.

 

A seleção vegetal, ou cultivo seletivo, refere-se ao conjunto  de procedimentos realizados de forma controlada com o objetivo de melhorar geneticamente as plantas, tanto em termos de qualidade quanto de quantidade. O método clássico é o dos cruzamentos, tal como foi aplicado durante muitos anos  por Johann Gregor Mendel (1822-1884), monge e botânico da Morávia, uma região histórica na parte oriental da República Checa, situada entre a Boémia e a Eslováquia. Nas suas investigações sobre as ervilhas, ele demonstrou que os caracteres hereditários se transmitem de geração em geração de acordo com uma regularidade bem definida. Enquadrada cientificamente, a seleção exige uma sucessão de fases. A primeira consiste em escolher um indivíduo inicial adequado, ou seja, da linhagem parental que apresenta as qualidades necessárias. Em seguida, é necessário realizar cruzamentos sucessivos, selecionar os descendentes promissores e, depois, multiplicá-los até se obter a variedade desejada. dependendo da natureza das plantas e do seu modo de reprodução: 

 

- Autogamia ou autofecundação, ou seja, a polinização de uma flor com o seu próprio pólen;

 

- Alogamia ou polinização de uma flor pelo pólen de outra flor, proveniente ou não de outra planta;

 

Tal investigação demora entre sete e quinze anos. Métodos mais recentes de multiplicação (clonagem) e de seleção (reprodução in vitro) aceleram consideravelmente o processo de seleção. Certos processos de reprodução, como a mutagénese, ou seja, o processo que origina uma mutação ou altera o código genético de um indivíduo, e a heterose negativa, ou seja, o desempenho inferior à média dos pais, envolvem riscos, entre os quais o da introdução de novos genes, nomeadamente através da polinização eólica, em plantas selvagens ou cultivadas.

 

A abordagem empírica, que consiste em distinguir as plantas com características específicas para recolher as suas sementes e utilizá-las como sementes, é muito mais antiga do que a seleção científica. Já por volta de 10.000 a.C., no final da última glaciação, os homens começaram a domesticar plantas selvagens e a fazê-las evoluir gradualmente de acordo com suas necessidades. Foi assim que surgiram no Próximo Oriente as primeiras espécies cultivadas de trigo — trigo-de-espiga-curta, trigo-amidonoso, trigo-nu —, cevada, ervilha, lentilha e linho.

 

Fonte: selection vegetale

 

A estaca, a alporquia e o enxerto são métodos mais seguros para obter uma variedade específica, como o Pinus pentaphylla ou pinheiro de cinco agulhas, o Acer palmatum deshojo e muitos outros aceres.

 

Ler o artigo original sobre o Pinus pentaphylla.

 

Ler o artigo original sobre o Acer palmatum.

 

 

O que é a enxertia do bonsai?

 

Portanto, o enxerto, como acabamos de ver, é a união de uma parte de uma planta com a de outro indivíduo, dando origem a uma nova planta que será um indivíduo único.

 

Para realizar um enxerto, precisamos de dois elementos. O primeiro é o porta-enxerto, que está enraizado, e o segundo é a parte enxertada, chamada enxerto, que não tem raízes.

 

A enxertia não é o método mais utilizado na reprodução do bonsai.

 

De facto, só usamos esta técnica para retificar erros flagrantes num bonsai ou para reproduzir determinado bonsai, como é o caso principal do Pinus pentaphylla, que é enxertado no Pinus nigra ou no Pinus thunbergii, ou do Acer palmatum deshojo no Acer palmatum atropurpureum.

A vantagem, neste caso, é melhorar o crescimento utilizando um porta-enxerto com sistema radicular mais vigoroso, como o do Pinus thunbergii ou do Acer palmatum, para alimentar o enxerto de Pinus pentaphylla ou do Acer palmatum deshojo. Quase todas as variedades e cultivares de Acer palmatum são propagadas por enxertia ou por estacas.

 

Contudo, existe outra possibilidade de obter um pinheiro de cinco agulhas por sementeira: o Pinus parviflora, embora não seja muito fácil, pois a taxa de sucesso é muito baixa, inferior a 40% nas melhores condições. Uma grama de sementes de Pinus parviflora contém cerca de sete sementes e requer estratificação a frio, em temperaturas entre três e cinco graus, por três a quatro meses, sendo semeada na primavera, quando a temperatura começa a subir. No entanto, obtemos um espécime muito mais bonito por sementeira do que por enxertia. O enxerto do Pinus pentaphylla deve ser muito discreto e, muitas vezes, não é o que acontece, o que frequentemente se manifesta como inchaço ou protuberância, prejudicando a estética do bonsai. Além disso, o enxerto deve ser o mais baixo possível para se fundir ao tronco principal. Hoje em dia, os bonsais enxertados importados do Japão apresentam um enxerto muito imponente e desengraçado; é uma pena ver a qualidade japonesa desaparecer a cada dia. O mais difícil é conseguir árvores impecáveis a um preço acessível.

 

 

O mesmo se aplica ao Acer palmatum deshojo que pode ser facilmente obtido a partir de estacas semilenhosas. Além disso, este processo tem a vantagem de não deixar marcas visíveis, ao contrário da enxertia, que sempre deixa uma protuberância, muitas vezes desagradável. 

 

Há vários tipos de enxertos que podemos aplicar ao bonsai:

 

A- A enxertia de escudo:

 

 

Esta é a mais fácil e é feita no verão, geralmente de meados de julho a finais de setembro.

 

É igualmente o mais vantajoso, pois basta um só gomo para realizar o enxerto e, duas semanas depois, é possível verificar se o enxerto foi bem-sucedido. O porta-enxerto, ou, no nosso caso, o bonsai, deve ser bem regado nas duas semanas que antecedem o enxerto.

 

Como proceder?

 

1- Retirar as folhas e os ramos da área a enxertar;

2- Depois, utilizando uma ferramenta de enxerto, faz-se um corte em forma de T na área limpa. Com cuidado, deve-se empurrar a lâmina até sentir resistência, ou seja, contacto com a madeira do porta-enxerto;

3- Em seguida, remover suavemente a casca com a espátula, parte posterior da faca de enxerto, especialmente preparada para esse fim. A casca deve soltar-se sem dificuldade, caso contrário, significa que o porta-enxerto não está suficientemente em seiva e que o enxerto não irá pegar;

4- Remover o enxerto que queremos introduzir, ou seja, o olho do ramo previamente escolhido. Para tal, escolhemos um gomo bem desenvolvido, localizado na axila de uma folha e retiramos a folha, deixando apenas uma parte do pecíolo. Com a faca de enxerto, removemos cerca de três centímetros de casca a partir do olho escolhido, sem nunca remover a madeira, ou seja, o coração do caule, e, sobretudo, sem esvaziar a parte inferior do gomo, o que é fundamental para a sobrevivência do enxerto.

5- Utilizando a espátula, abrir as extremidades da incisão em forma de T que fizemos no nosso porta-enxerto e inserir o enxerto, tendo o cuidado de colocá-lo na direção correta, ou seja, cabeça para cima e não ao contrário. Respeitar o sentido de circulação da seiva é primordial.

6 - Finalmente, prender com ráfia ou fita de celofane previamente embebida em água, em primeiro lugar porque será mais fácil de aplicar e, em segundo lugar, ao secar, tenderá a apertar o enxerto no porta-enxerto.

 

Na primavera seguinte, se o nosso enxerto for bem-sucedido, começaremos a notar que ele cresce.

 

B - Enxerto inglês:

 

Neste caso, devemos ter um porta-enxerto e um enxerto com o mesmo diâmetro, até um máximo de 10 mm. Um corte biselado de cerca de três centímetros de comprimento é feito no porta-enxerto e outro, de igual comprimento, no enxerto, mantendo apenas um gomo. Esta operação é levada a cabo entre março e abril.

 

As duas feridas ou zonas generativas são sobrepostas e atadas com fita plástica, enrolada à volta do enxerto, começando pela parte inferior.

 

 

C - Enxerto de fenda:

 

 

Este enxerto é normalmente realizado em março ou abril. O porta-enxerto pode ter entre 1 e 5 centímetros de diâmetro.

 

O porta-enxerto é fendido longitudinalmente e, depois, insere-se um enxerto em cada extremidade da fenda, ao longo de vários centímetros, cortado em bisel duplo, ou seja, de cada lado do enxerto, assegurando, naturalmente, que as duas zonas generativas estejam em contacto.

 

Depois, o enxerto é atado com fita plástica ou ráfia e coberto com massa de enxerto para evitar a entrada de parasitas e de doenças.

 

D: Enxerta lateral:

 

 

 

Este é o enxerto mais fácil de realizar. Consiste simplesmente em fazer um corte inclinado na lateral  do porta-enxerto e inserir um enxerto cuja base também foi biselada. A seguir, prender e colocar pasta de enxerto.

                                                                       

Esta técnica é particularmente recomendada para coníferas e árvores de folha perene, uma vez que permite uma grande superfície de contacto, facilitando, deste modo, o processo de enxertia.

 

E - Enxerto direto sobre o bonsai:

 

Esta técnica é frequentemente utilizada para retificar um problema estético num tronco, por exemplo, para adicionar um ramo onde não há nenhum ou para retificar a sua posição. Esta operação tem lugar na primavera, de preferência sobre um bonsai em plena vegetação, mas com o chamado enxerto dormente, ou seja, com vegetação parada.

 

Consiste em fazer um furo com uma broca de madeira, do mesmo diâmetro do enxerto que queremos introduzir, a um ângulo de cerca de 45 graus em direção ao fundo.

O enxerto pode ser uma muda de um ou dois anos ou simplesmente um ramo retirado de outra árvore de bonsai.

 

Podar o enxerto, removendo a casca de um centímetro, tendo o cuidado de não alcançar a madeira, e depois inseri-lo no furo que fizemos no porta-enxerto. Mais uma vez, o segredo está na aplicação precisa, de modo a que as zonas generativas estejam em contacto. É difícil ligar este tipo de enxerto, mas ele deve ser inserido com firmeza para que se mantenha no lugar. Aplicar uma pasta de enxerto à volta do enxerto para protegê-lo da água e de doenças.

 

Na Iberbonsai temos bonsais provenientes de sementes, de estacas e de enxertia como os que já citamos anteriormente, o pinus pentaphylla de enxerto, o pinus parviflora de sementes, o Acer palmatum deshojo de estaca e de enxertia, o Acer palmatum kiyohime, o Acer palamtum yamamomijii, o Acer palmatum arakawa, esses últimos de enxerto.

 

Favorizamos sempre a semente ou a estaca, por terem maior sucesso no que diz respeito ao nebari. Damos muita importância ao aspeto do nebari, que tem de ser o mais natural possível.
Nebari é a expressão japonesa que designa o conjunto da base do tronco e das raízes rasantes. Na natureza, um dos aspetos mais bonitos de uma árvore são as raízes que transmitem a força desenvolvida para segurá-la ao solo.

 

A essência da cultura do bonsai fundamenta-se no alcance da perfeição do nebari, ou seja, o sistema radicular apurado que permitirá um melhor desenvolvimento da estrutura aérea.

 

Para obter um bom nebari, temos que realizar transplantes frequentes, cortar a raiz principal, dita axial, dirigir e ordenar de forma equilibrada as raízes secundárias; ou seja, as lenhosas, são essas que vão segurar o bonsai ao solo, e as mais finas, não lenhosas, cuja missão é a absorção e o transporte dos elementos nutritivos. O bonsai, por ser uma árvore pequena, não necessita de raízes grossas para se sustentar no solo, mas precisa de raízes mais finas para se alimentar.

 

Ler o artigo original sobre o nebari do bonsai.

 

 

O segredo da enxertia do bonsai

 

 

NOTA:

 

Qualquer que seja o tipo de enxerto que escolhemos realizar, é imperativo e crucial respeitar certas regras:

 

- A Polaridade: isto é, a direção de orientação das peças a colocar em contacto, ou, mais simplesmente, o respeito pela direção da seiva. Isto significa levar o enxerto na direção certa, com a cabeça para cima, assim que o retirarmos da planta-mãe. Caso contrário, a seiva não poderá circular do porta-enxerto para o enxerto.

 

- O contacto das zonas generativas: para que a soldadura tenha lugar, as zonas generativas, ou zonas de câmbio, devem tocar umas nas outras e permanecer em contacto em pelo menos um ponto.

 

 

- O câmbio, do latim cambiare, que significa mudar, produz os tecidos condutores secundários, é uma ponte entre a madeira e a casca.

Estas são as zonas generativas que permitem que o enxerto viva. É uma fina camada verde situada logo sob a casca, por isso, quando realizamos o enxerto, temos de garantir que o câmbio do enxerto esteja em contacto com o câmbio do porta-enxerto. É aí que reside o segredo da enxertia.

 

As células de ambas as partes multiplicam-se rapidamente na zona do corte, formando um calo cicatricial. Os novos vasos condutores, xilema e floema, se unem, permitindo que a seiva volte a circular entre as raízes do porta-enxerto e os ramos do enxerto.

 

- A fixação: sem sistema de fixação, o nosso enxerto terá poucas chances de vingar. Portanto, temos que utilizar ráfia, fita de celofane ou elásticos especiais; o objetivo é apertar e manter o enxerto no sítio, sem possibilidade de se mexer. Se se mexer, nunca poderá sobreviver; irá secar e morrer.

 

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