
Jin Shari em bonsai.
O bonsai reflete acima de tudo um estado de espírito, é a relação íntima do ser humano com a natureza. O objetivo do bonsai é a representação de uma árvore na natureza, mas em miniatura, pelo que esta é uma boa razão para desenvolver e destacar várias técnicas e todo o nosso conhecimento para ter sucesso.
É um passatempo muito saudável e zen. Uma árvore, mesmo que seja em miniatura, é acima de tudo uma planta natural e viva, que se desenvolve e transforma ao longo das estações, fazendo-nos revi vê-las sobretudo se vivemos em apartamentos longe da natureza.
O bonsai tem este lado mágico, é pequeno, mas a imagem que temos dele lembra-nos uma árvore em tamanho real e por isso ajuda-nos a partilhar esse espírito de comunhão com a natureza, ajudando-nos a escapar ao stress da nossa atividade quotidiana e da nossa vida longe da natureza.
No nosso viveiro cultivamos estas pequenas árvores a partir de sementes, estacas e em pré-bonsai de maneira a facilitar a tarefa a quem nos visita começar o seu projeto de início para criar o seu próprio bonsai.
Ler artigo original sobre o bonsai, um símbolo!
O bonsai não é apenas uma planta desenhada pela poda e moldagem com arames, mas é sobretudo uma verdadeira e autêntica obra de arte e a prática do jin e do shari no bonsai é a prova mais espetacular que se consegue numa planta natural e em constante desenvolvimento.
Muitas pessoas pensam que o bonsai é uma espécie, mas na realidade podemos conseguir um bonsai a partir de qualquer planta desde que seja lenhosa.
Explicamos a seguir porque não existe um bonsai ou uma semente de bonsai.
Na iberbonsai produzimos e criamos bonsais a partir de sementes e estacas, temos uma vasta gama de bonsais de exterior e de interior que disponibilizamos aos nossos clientes. Temos bonsais de interior como a carmona macrophylla, o ficus retusa, a sageretia theezans cujo os ramos têm casca muito fina e têm uma madeira vermelha acastanhada que se descasca naturalmente ao longo do tempo, muito semelhante ao plátano, deixando a base do tronco com tonalidades diferentes tornando este bonsai ainda mais especial.
Ler mais no bê à bá do bonsai.
Mas nem todos os bonsais dão para fazer um jin ou um shari.
Cuidar de um bonsai obriga-nos a uma certa atenção para tratar da nossa pequena árvore com a máxima responsabilidade. Todos os meses do ano há algo a fazer no nosso bonsai. Podemos guardar as tarefas que demoram mais tempo como a poda, a adubação ou o transplante para o fim de semana ou os dias de descanso e no dia-a-dia simplesmente tratar da rega e rodar o bonsai de interior.
Zelar do nosso bonsai não deve ser um constrangimento, mas sim um momento de puro prazer de desfrutar o que a natureza tem para nos oferecer, o bonsai é perfeito traz natureza, paz, felicidade e harmonia.
Para conseguir cuidar de um bonsai com sucesso, é importante respeitarmos a natureza e sobretudo as estações do ano, pois o êxito do bonsai depende delas.
Ler artigo original sobre o bonsai e as estações do ano.
Mas então como fazer um bonsai?
O bonsai é um passatempo conhecido para fazer bem a mente, é antes de mais um momento que é descrito como zen. Relaxante e motivador porque nunca termina, é um hobby extremamente excitante que nos aproxima da natureza.
No entanto, para obter um bonsai digno desse nome, é necessário respeitar certas regras específicas a este tema.
Como fazer um bonsai facilmente.
Podemos obter um bonsai a partir de sementes, estacas, alporquia ou mesmo pré-bonsai. Há também quem trabalhe com yamadori, que se torna ainda mais rápido e sobretudo muito mais barato por serem plantas arrancadas da natureza utilizadas principalmente por comerciantes para ganhar dinheiro facilmente.
O que é um bonsai?
Não é apenas uma planta num vaso como se quer inicialmente fazer crer, é muito mais do que isso, porque para criar um bonsai, devemos utilizar técnicas aprovadas como o transplante, a poda, a estilização com arames, métodos de cultura que permitem formar uma árvore em bonsai.
Força, elegância, leveza e movimento são os quatro pilares da construção de um bonsai.
Ler artigo original sobre como fazer um bonsai.
A prática do jin shari faz parte da construção de certos bonsais, particularmente dos pinus e juniperus, é um toque muito especial e sobretudo mais pessoal que damos ao nosso bonsai.
Estamos a pensar realizar uma obra de arte específica com carácter próprio, algo que queremos evidenciar e mostrar, com alguma imaginação e sobretudo com alguma prática conseguimos realizar um jin ou um shari.
Mas o que é o jin e o shari em bonsai?
- Jin é uma parte descascada do galho;
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- Shari é uma parte sem casca do tronco.
A técnica do jin e o shari transmite a impressão de uma árvore velha com a criação de madeira morta, para se parecer com uma árvore que vive nas montanhas em condições extremas, fustigada pelos elementos da natureza, como trovoadas, raios, ventos, o peso da neve, as secas e os incêndios violentos. As árvores na natureza sempre foram mal tratadas pelo meio ambiente, seja no inverno ou no verão, mas reparamos uma coisa, é que mesmo depois desses fenómenos como incêndios, trovoadas, tempestades de neve ou de vento e frio extremo, conseguem quase sempre sobreviver, só que isso deixa marcas por vezes profundas, são marcas de sofrimento e de resiliência que achamos bonitas sem, nem sequer pensarmos no que lhes aconteceu, infelizmente por vezes assistimos a destruição total dos ecossistemas que levam muitos anos a regenerarem.
Este ano na iberbonsai iniciamos uma ação de reflorestação, graças a nossa exposição de natal Christmas bonsai fest e aos visitantes, que por cada entrada correspondia a um sobreiro de um ano que vão ser doados para as zonas mais afetadas pelos incêndios de dois mil e vinte e cinco. E como a exposição foi um sucesso absoluto decidimos oferecer o dobro, mil sobreiros com um ano de idade para as regiões de Viseu e Grande Porto, especificamente Gondomar, que foram particularmente afetadas pelos últimos incêndios.
Iremos pedir a participação das crianças desses municípios no momento das plantações para terem consciência do problema que representa a biodiversidade em Portugal e assim tentar reduzir o número e a intensidade dos fogos, que até agora foram muito devastadores e já causaram muitas mortes, como em Pedrogão Grande em 2017 cobrindo uma área de mais de cinquenta mil hectares.
Trinta das vítimas mortais foram encontradas queimadas nos seus próprios carros enquanto tentavam fugir.
Ler artigo original sobre a biodiversidade e o bonsai.
Sobre o jin e o shari:
Tenta-se criar uma réplica mais próxima de um exemplar natural, maltratado pelo ecossistema ao longo do tempo.
O outono é o melhor momento para trabalhar a madeira morta no bonsai, mas também pode ser realizado do fim da primavera até ao verão.
Qual o objetivo do jin e do shari?
É de tentar imitar, com essas técnicas, o que acontece na natureza. A madeira morta numa árvore é criada pela exposição prolongada de seca, de vento forte, do peso da neve e a seguir a madeira morta fica esbranquiçada com o efeito intenso do sol.
Esta situação não pode acontecer naturalmente nos nossos bonsais porque estamos sempre a protegê-los.
É mais comum usarmos a técnica do jin shari em árvores perenes, nomeadamente coníferas como o juniperus, é raro encontrar uma árvore de folha caduca apresentando um jin ou um shari, mas é perfeitamente possível, o problema é que nas árvores de folha caduca geralmente a madeira morta apodrece, assim é difícil conseguir um bom resultado.
Ler artigo original sobre a madeira morta no bonsai.
NOTA:
Mais de sessenta variedades entre clones e cultivares são referenciadas na espécie juniperus chinensis, cujo o mais conhecido e o mais utilizado para realizar jin e shari é o juniperus chinensis itoïgawa em bonsai.
O nome de itoïgawa provém de uma cidade no Japão, no norte da ilha de Honshu, na província de Niigata. Esta variedade encontra-se na natureza no estado selvagem só nas encostas dos montes Myôjô e Kurohime a mais de mil metros de altitude.
Os exemplares que podemos encontrar no mercado são originários de produtores que fazem multiplicação de estacas a partir dos restos de poda e é o que fazemos igualmente na iberbonsai, temos algumas plantas adultas de onde retiramos o máximo de estacas possíveis sem nunca pôr em risco a saúda da planta mãe. A recolha na natureza é agora proibida.
Ver as nossas mudas de estacas.
A particularidade do juniperus chinensis itoïgawa reside na sua folhagem, que é muito fina com delicadas escamas. Suporta extraordinariamente bem a poda e a pinçagem.
Ler o nosso artigo original sobre o juniperus chinensis itoïgawa.
Na maioria das vezes aproveitamos um erro ou um defeito numa árvore que acontece quando o bonsai cai por causa do vento e fica danificado, então decidimos criar um jin, cortar e descascar uma parte ou mesmo o tronco para conseguir o nosso projeto estético.
NOTA:
O jin é a técnica que consiste em tirar a casca num ramo ou parte de ramo que não seja vital para a árvore, cujo objetivo é aparentar padecer de condiçoes climáticas extremas. Por norma o jin é sempre de tamanho reduzido para não afetar muito a árvore. Consiste em retirar a casca do ramo até encontrar a madeira dura, esse tarefa deve ser feita com um alicate jin, puxando as fibras de madeira e cortá-las no fim do jin. Arredondar as arestas afiadas com uma lixa ou um cinzel côncavo.
Deixar secar essa parte da madeira durante pelo menos um mês e a seguir aplicar um produto a base de poli sulfureto de cálcio com um pincel na parte que foi trabalhada. Realizar esta operação de preferência à sombra para evitar que o produto amareleça ao sol. Esta operação terá que se repetir vezes sem conta até obter o branco perfeito, mas também como forma de proteger a madeira todos os anos contra o apodrecimento.
O shari é a mesma técnica, mas aplicada ao tronco da árvore, por vezes de forma tão intensa que podemos ver uma parte muito reduzida da casca original alimentar a árvore. Temos de ter cuidado de garantir que não cortamos o fluxo importante de seiva que alimenta os ramos superiores da árvore, esta tarefa de criação do shari deve ser repartida ao longo de vários meses ou mesmo anos, de modo que o bonsai não entre em stress.
O jin shari deve parecer o mais natural possível. Numa primeira fase convém marcar o contorno do jin com um marcador, a seguir e com ajuda de um x-ato ou outra ferramenta cortante, elaborar um corte seguindo o contorno marcado.
Depois, já podemos começar a retirar a madeira com ajuda de uma tenaz racha-tronco e em seguida, com o alicate jin, continuamos o trabalho nas zonas que queremos cavar com maior profundidade.
O objetivo é moldar e formar a madeira com lixadeira ou qualquer ferramenta rotativa equipada com fresas próprias e polir a madeira morta para limpar as partes onde a casca foi retirada e para que sobressaia a aparência do jin.
Deixar secar o jin ou o shari durante pelo menos um mês e à seguir devemos aplicar um líquido a base de enxofre, ácido sulfúrico ou poli sulfureto de cálcio com um pincel ou um pano seco na área trabalhada. Isto deve ser feito de preferência à sombra. Lembramos que, infelizmente, o chamado e tradicionalmente conhecido líquido jin é estritamente proibido em Portugal e Espanha, portanto e sendo assim, temos que aplicar outras soluções para proteger a madeira e conseguir uma cor mais parecida com o branco envelhecido.
Cautela no uso de ácido sulfúrico.
- Colocar sempre o ácido por cima da água e não o contrário;
- A água absorve e dispersa o calor produzido pela reação química, coisa que o ácido não faz.
O produto além de proporcionar o branqueamento que faz sobressair a folhagem, tem a particularidade de ser um excelente fungicida e diminui o processo de decomposição natural da madeira.
Qual a ferramenta indispensável para conseguir um jin ou um shari?
- O alicate côncavo: para assegurar cortes limpos e precisos que cicatrizam com facilidade graças à suas lâminas côncavas que garantem cortes quase perfeitos;
- O cinzel: é utilizado para partir a madeira morta em zonas planas, muito útil para dizimar grandes superfícies;
- A podadora racha-tronco: é a ferramenta indispensável para conseguir um jin e para dividir o tronco. As suas arestas afiadas penetram no ramo separando-o longitudinalmente e a seguir podemos rasgá-lo com o alicate jin para lhe dar um acabamento mais natural;
- As goivas que permitem-nos começar a desenhar a madeira morta graças às suas diferentes pontas de formas e tamanhos variados, permitindo realizar texturas distintas, ranhuras e relevos que podem trazer mais relevância à nossa madeira morta;
- O alicate jin: ferramenta que produz uma superfície de rasgo natural e mais limpa, utilizada para descascar e rasgar ramos com destino a transformá-los em jin;
- As escovas: utilizamos escovas de ferro ou latão para conseguir uma superfície mais suave, mais polida e para remover as aparas de madeira deixadas no jin ou no shari depois da madeira ter sido rasgada para os criar.
A escova de nylon é utilizada para remover o bolor verde e para limpar o pó e a sujidade da madeira morta. É aconselhável aplicar água na madeira antes de escovar.
NOTA:
- O bonsai deverá estar bem preso ao vaso para não provocar a quebra das raízes mais finas pelo movimento e pelo impacto das ferramentas.
DICA:
- Para realizar um jin ou um shari pode-se utilizar ferramentas elétricas tipo berbequim com um eixo flexível e ferramenta para escavar a madeira. Desta forma conseguimos um resultado mais rápido e bonito no acabamento, só que com esta técnica parece-se mais com um entalhe e não se respeita o veio da madeira.
- O trabalho, quando feito à mão, é muito mais lento, com ajuda de goivas e cinzéis, alicates e pincéis como já vimos, mas continua a ser a melhor técnica porque revela a delicadeza do trabalho e assim é mais realista.
Ver a nossa ferramenta para trabalhar a madeira.
Temos muitos clientes que não aceitam e não compreendem o ato de realizar um jin ou um shari sobre o bonsai, pensando que é um ato violento e temos que respeitar a opinião de cada um, mas com esta técnica só estamos a imitar o que acontece na natureza, o que é muito mais violento é quando vemos árvores partidas ao meio pelos raios, ramos partidos pela força do vento ou quebrados sob o peso brutal da neve. Na natureza há árvores a morrerem por terem sofrido atos tão violentos que não têm condições para sobreviver, pelo menos no bonsai podemos e devemos evitar chegar a esse ponto, temos que ter algum respeito pelas nossas árvores e não as sacrificar só porque sim, temos que trabalhar de forma proporcional para chegar ao que queremos sem prejudicar a saúde do nosso bonsai.
Por que um jin ou um shari sobre o bonsai?
Certo que não é obrigatório realizar um jin ou shari sobre o bonsai para conseguir um espécimen de grande distinção, mas quando conseguimos um é notório o efeito deslumbrante que pode provocar.
Em coníferas como o juniperus, consegue-se uma extraordinária obra de arte e escultura viva graças ao contraste da folhagem com a madeira tratada.